Aprenda a gerenciar arquivos no modo console do Linux

Por Felipe Arruda

Instalar e usar o Linux hoje se tornou tarefa simples. Com ambientes gráficos e assistentes cada vez mais intuitivos e modernos, bastam alguns cliques de mouse para realizar tarefas que, antes, necessitavam de muitos comandos executados no terminal. Apesar disso, é sempre bom saber como trabalhar no modo console, porque nem toda máquina estará equipada com essas facilidades.

É comum, por exemplo, que servidores tenham o menor número possível de softwares instalados, para evitar sobrecargas e até mesmo brechas de segurança proporcionadas por programas que, muitas vezes, sequer são usados. Além disso, administradores costumam realizar operações remotas em servidores e, por isso, quanto mais leves e simples forem os softwares utilizados, melhor.

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Portanto, vamos à lista dos comandos mais usados quando tratamos de gerenciar arquivos e diretórios no Linux. Apesar de o tutorial explicar apenas o funcionamento básico de cada comando, lembre-se de que todos eles possuem uma página de manual que pode ser acessada por meio do man, como explicado em outro artigo do Canaltech.

Listar e criar arquivos

Para criar um arquivo vazio, usa-se o comando touch seguido do nome do arquivo a ser criado, como em touch canaltech.txt. Apesar de parecer inútil à primeira vista criar um arquivo sem qualquer conteúdo dentro, saiba que esse recurso é muito usado em scripts e testes diversos.

No caso de arquivos de texto, você também pode usar o editor Vim. Recentemente, publicamos um tutorial introdutório que será útil não apenas para aprender a criar um arquivo de texto, mas também para realizar edições mais avançadas nele. E para verificar se os arquivos foram criados, basta recorrer ao comando ls, que lista os arquivos do diretório em que você se encontra. Caso necessário, também é possível indicar uma pasta ao comando: ls /home, por exemplo.

Criar diretórios

Quando precisar recorrer a pastas para organizar melhor seus arquivos, basta criá-las com o comando mkdir. Uma pasta chamada "canaltech", por exemplo, poderia ser criada com o comando mkdir canaltech. Se quiser acessá-la, posteriormente, basta relembrar os 10 comandos essenciais do Linux e executar cd canaltech.

Copiar arquivos e diretórios

Para copiar arquivos ou diretórios, usamos o comando cp. A sintaxe básica é: cp pasta/arquivo pasta/, onde pasta é o caminho do arquivo a ser copiado e arquivo é o nome dele. Não se esqueça da extensão, caso exista.

Você também pode usar o mesmo comando com diretórios. Porém, caso existam arquivos ou subdiretórios dentro dele, será necessário incluir a opção -R ao executá-lo, caso contrário, todo o conteúdo será ignorado: cp -R diretório/ destino/.

Mover e renomear arquivos e diretórios

Usado de maneira semelhante, o comando mv pode ser usado de duas formas diferentes: para mover e renomear arquivos e diretórios. Caso você informe o caminho de origem e destino de um arquivo (mv pasta/arquivo destino/), ele será movido. Mas se você "movê-lo" com um nome diferente, ele será renomeado: mv arquivo1 arquivo2.

Para renomear diversos arquivos de uma só vez, recorra ao rename. Esse comando funciona com expressões regulares no padrão utilizado pela linguagem de programação Perl, mas você pode aprender um uso muito útil e simples agora mesmo.

Digamos, por exemplo, que você tenha uma pasta com fotografias cujos arquivos começam sempre com "IMG". Caso quisesse renomear todas as imagens para que elas comecem com "Foto", bastaria executar o seguinte comando: rename 's/IMG/Foto/' *, onde o asterisco (*) é um caractere curinga que representa todos os arquivos e diretórios da pasta de trabalho.

Apagar arquivos e diretórios

Use o comando rm para apagar um arquivo: rm nomedoarquivo. Se quiser apagar um diretório, será necessário inserir o parâmetro -d ou, então, usar o comando rmdir seguido do nome do diretório. Porém, um aviso: para ambos os casos, o diretório deve estar vazio. Caso existam arquivos dentro dele que também devem ser apagados, utilize o comando rm -r diretorio/.

Procurar arquivos

Não sabe onde salvou aquele arquivo importante? É possível encontrá-lo com o comando find. Para isso, use como parâmetros um ponto de partida para a busca no sistema de arquivos e o nome do arquivo precedido pela opção -name. Se ficou confuso, exemplificamos. Para buscar o arquivo "canaltech.txt" dentro do diretório "/home", execute: find /home -name canaltech.txt.

Esse é o tipo de comando que serve bem se você souber o nome do arquivo que estiver procurando. Porém, o find pode fazer muito mais. Se deseja procurar por todos os arquivos de texto que estiverem no diretório "/home", por exemplo, basta usar uma expressão regular: find /hoome -name '*.txt'. Veremos com detalhes o uso de expressões regulares em um tutorial futuro, mas, por enquanto, vale a pena decorar essa linha, que será muito útil.

Arquivos e seus conteúdos

Além dos comandos já apresentados neste tutorial, o Linux possui outros que trabalham diretamente com a exibição ou manipulação do conteúdo de arquivos. Se quisermos ler o conteúdo de um arquivo de texto no terminal, por exemplo, podemos recorrer ao comando more nomedoarquivo.txt.

Todo conteúdo do arquivo será exibido no terminal, preenchendo a tela com texto. Para prosseguir com a leitura, pressione a barra de espaço e, caso precise voltar uma ou mais páginas, use a tecla "b". Se quiser sair do more, pressione "q".

E não é só. Você pode conferir apenas as 10 primeiras linhas de um arquivo com o comando head nomedoarquivo.txt, ou, então, as 10 últimas com tail nomedoarquivo.txt. Para descobrir quantos caracteres, linhas ou palavras possui um arquivo, use o comando wc (word count):

Contagem de palavras em arquivo do Linux

O resultado acima indica que o arquivo possui 240 linhas, 569 palavras e 8980 caracteres. Bacana, não?

Este artigo faz parte de nossa biblioteca de conteúdo "Tudo o que você precisa saber sobre o Linux". Não deixe de acessar e conferir todo o conteúdo publicado sobre o Pinguim.

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