Investidor diz que Uber é “refém” de membros da diretoria

Por Redação | 16 de Agosto de 2017 às 10h16

Enquanto, para o público, a Uber tenta cada vez mais renovar sua confiança e melhorar a qualidade de seus serviços, uma verdadeira guerra parece estar acontecendo nos bastidores. De acordo com uma carta vazada para a imprensa, escrita pelo investidor Shervin Pishevar, a Benchmark Capital, empresa que também tem membros na diretoria do serviço de transportes, estaria o mantendo “refém” e impedindo muitas de suas mudanças.

Entre os atos que os financiadores teriam tentado realizar estaria a derrubada de uma das principais integrantes da direção da Uber atualmente, Arianna Huffington. Amiga pessoal do ex-CEO e fundador Travis Kalanick, ela seria uma das “caras” da mudança pela qual a empresa passa atualmente, apesar de estar no final de uma lista de novos nomes para ocuparem a presidência da companhia.

Membros não identificados da Benchmark Capital estariam realizando uma campanha para sabotar a liderança de Huffington. A ideia seria voltar os executivos contra ela, de forma que eles votem a favor de sua saída, da mesma forma que fizeram, há alguns meses, com Kalanick, que anunciou sua renúncia ao posto em meio a grande controvérsia.

Pishevar não entra especificamente nos motivos que estariam levando a isso, mas cita uma tentativa de confundir a diretoria. A Benchmark teria como principal aliada outra firma de investimentos, a Lowercase Capital, que também apostou no aplicativo em seus momentos iniciais. Além disso, entra aqui uma questão pessoal, com o CEO da aceleradora e Kalanick “não se falando” há anos.

Como se as intrigas internas já não fossem suficientes, a Benchmark ainda é a responsável por um processo contra o ex-CEO, acusando-o de fraude na criação de três novos assentos na diretoria em 2016. Para a firma, seria uma forma de usurpar o controle de investidores para que o próprio Kalanick pudesse escolher quem ocuparia as cadeiras – ele teria selecionado a si mesmo, inclusive, logo após deixar a presidência.

Além disso, Benchmark e Lowercase teriam negociado para que a saída do antigo vice-presidente sênior de operações da Uber, Ryan Graves, acontecesse no pior momento possível. Isso aconteceu no mesmo dia em que a firma de investimentos abriu o processo contra Kalanick, de forma a deixar ainda mais clara a noção de que a companhia passa por graves problemas internos, em contraste com a faceta de progressão que ela tenta mostrar ao público.

A carta de Pishevar termina com mais uma acusação, a de que a Benchmark estaria ativamente impedindo a aproximação de novos investidores que pudessem diluir ainda mais o balanço de controle na companhia. Com tudo isso, ele pede a renúncia imediata dos membros da firma de investimentos que estão na diretoria, alegando, com todas as letras, que eles estão impedindo que a Uber siga adiante.

O texto não entra nesse quesito, mas boatos apontam que Pishevar estaria tentando, pessoalmente, comprar a parcela da Benchmark na empresa, oferecendo, inclusive, um valor superior ao que ela realmente vale. Não se sabe se uma negociação realmente existe, nem se ela pode ser aceita pela investidora.

Enquanto isso, a turbulência interna continua. A vontade da Uber é de apontar um novo CEO até o dia 4 de setembro. Todos os caminhos indicavam para Meg Whitman, da HP, até que, há algumas semanas, ela negou publicamente que estaria sendo sondada e também disse que deseja continuar na empresa de tecnologia. Outros nomes em pauta são oriundos de empresas como Facebook, Ford e Amazon.

Por enquanto, entretanto, nada de informações oficiais, nem sobre a busca por um CEO e muito menos sobre os problemas internos que estariam sendo enfrentados pela companhia.

Fonte: Axios

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