Crise econômica leva à demissão de co-CEO da SAP

Por Felipe Demartini | 23 de Abril de 2020 às 12h35
Divulgação/SAP
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Um experimento de gerência dupla iniciado em outubro do ano passado pela SAP chegou a um final abrupto nesta semana, com o anúncio da demissão da co-CEO Jennifer Morgan. Ela assumiu o posto de diretoria da empresa de tecnologia em outubro do ano passado ao lado de Christian Klein, no que era uma tentativa da companhia de dividir responsabilidades e focar na habilidade de cada um de seus executivos-chave. A pandemia do novo coronavírus, entretanto, colocou tudo a perder.

De acordo com o comunicado oficial da SAP, o momento complicado exige da empresa uma estrutura de liderança muito clara. Daí a ideia de retornar ao modelo convencional de contar com um único CEO, um papel que, agora, será ocupado apenas por Klein a partir do dia 1º de maio, enquanto Morgan deixa a companhia no dia 30 de abril. Segundo o texto, a decisão foi tomada em comum acordo entre a dupla e o corpo de conselheiros da empresa.

A ideia de manter uma estrutura com co-CEOs sempre foi taxada como temporária pela SAP, mas a tentativa foi encurtada por conta da pandemia do coronavírus, que não apenas levou o mundo à beira da recessão, como também intensificou a pressão sobre as empresas de tecnologia. O comunicado oficial, porém, não faz menção aos resultados abaixo do esperados demonstrados pela empresa no início deste mês, ligados ao primeiro trimestre completo de gerência dividida entre Morgan e Klein.

Christian Klein assume o posto como único CEO da SAP, encerrando um experimento iniciado em outubro, que também colocou Jennifer Morgan na liderança da companhia (Imagem: Getty Images)

No início de abril, a SAP anunciou um crescimento de apenas 1% em ganhos no primeiro trimestre de 2020 e anunciou uma expectativa de queda nos lucros para o ano, que deve variar entre 1% e 6%. Os números negativos estão relacionados a uma esperada baixa na demanda entre abril e junho, com o movimento de recuperação acontecendo apenas no segundo semestre, no que o diretor financeiro Luka Mucic citou como uma queda controlada e esperada.

Justamente por causa disso, e também como forma de conter os ânimos do mercado quanto à própria saúde financeira, a SAP anunciou que não buscaria auxílios governamentais para sair da crise, se apoiando em suas reservas de dinheiro, em políticas de contenção de gastos e na redução das contratações para se segurar durante a crise. Apesar da saída de Morgan, a companhia disse que nenhum de seus 100 mil funcionários será demitido ou terá sua jornada reduzida por conta dessas medidas.

Morgan fez história em 2009 quando foi apontada para o cargo de co-CEO da SAP, se tornando a primeira mulher a liderar uma das chamadas “empresas DAX”, as 30 companhias com melhor performance na Bolsa de Valores de Frankfurt, na Alemanha. Ela assumiu em outubro após a saída do presidente anterior, Bill McDermott, e estava na companhia desde 2004, chegando ao quadro de executivos em 2017, onde também foi a primeira mulher. Antes de se tornar presidenta, ela estava à frente dos negócios em cloud computing, após uma passagem de sucesso por setores de vendas.

O diretor do grupo de conselheiros da SAP, Professor Hasso Plattner, agradeceu a ela pelos esforços ao longo destes 16 anos e enalteceu seu trabalho em prol dos clientes e da própria companhia, bem como o tempo que ela passou na liderança. O executivo disse estar confiante nas capacidades de Klein, que assume o comando total a partir de agora na busca por maior lucratividade durante um momento difícil para todo o mundo.

O comunicado também traz uma breve declaração de Morgan, desejando sucesso a Klein em suas atribuições e agradecendo a Plattner pela oportunidade de co-liderar a SAP. Os rumos da executiva após a saída, entretanto, não foram revelados.

Fonte: SAP (PR Newswire)

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