Waymo acusa Uber de esconder documentos sigilosos e baixados ilegalmente

Por Redação | 16 de Agosto de 2017 às 18h08

O embate judicial entre a Waymo, a empresa de carro autônomo do Google, e a Uber esquentou nos tribunais nesta quarta-feira (16), em São Francisco.

Durante uma audiência acalorada, os advogados da Waymo acusaram o escritório de advocacia de Uber, Morrison Foerster, de violar um pedido judicial ao não entregar documentos que a empresa alega terem sido baixados ilegalmente do Google.

A Waymo entrou com uma ação em fevereiro,  alegando que o ex-chefe do projeto de carro autônomo da Uber, Anthony Levandowski, baixou mais de 14 mil documentos do Google, que contêm segredos comerciais de modelos de automóveis autodirigidos. Isso teria acontecido pouco antes de deixar seu cargo na empresa.

Levandowski então criou uma startup chamada Otto, que ele vendeu para Uber por US$ 680 milhões. Waymo disse que a Uber teria usado os dados sigilosos comerciais levados por Levandowski.

A Uber nega que dados sigilosos estivessem em seus servidores e diz que criou sua própria tecnologia desde o início. Levandowski, que não é réu no caso, não negou o download de arquivos — em vez disso, ele invocou a 5ª Emenda (que lhe dá o direito de ficar calado) e se recusou a falou. A Uber o demitiu em maio por se recusar a cooperar com ordens judiciais.

O carro autônomo da Waymo

O advogado da Waymo, Charles Verhoeven, disse que seu escritório só soube, em 28 de junho, que a Epiq, uma empresa de apoio a litígios que trabalha para a Uber e sua firma de advocacia, Morrison Foerster, "tinha uma cópia completa dos dispositivos de Levandowski".

"Estamos tentando obter esses documentos desde o início deste caso, e ainda não os temos", disse um dos advogado da Waymo Charles Verhoeven ao juiz do caso, William Alsup.

Conflito de interesses

O advogado da Uber, Arturo Gonzalez, afirmou que a explicação de Waymo era enganosa. Segundo ele, a Stroz Friedberg, uma empresa forense digital, relacionou os dispositivos de Levandowski como parte da aquisição da Uber. Mas apenas um "fragmento pequeno" dessas imagens entrou nos escritórios de Morrison Foerster, onde foram revisados por um único associado.

O material entrou em um momento em que a Morrison Foerster representava Levandowski em uma arbitragem sobre sua saída do Google. Gonzalez disse que "puxou o plugue" nos documentos que estavam sendo revisados, uma vez que entendeu que havia um conflito entre Uber e Levandowski.

Gonzales também apontou que é Levandowski quem argumenta que os documentos são protegidos por privilégio de defesa. Foram os advogados de Levandowski que apelaram a um tribunal superior, que ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Alsup, o juiz do caso, pareceu simpático com Verhoeven, o advogado da Waymo, embora dissesse que esperaria a decisão da apelação. 

Uber diz que não esconde nada

Gonzales, da Uber, disse que a empresa não está tentando esconder nada. "Este julgamento é contra a Uber. E a Uber nem sabia que Morrison Foerste tinha esses documentos", disse o advogado.

O juiz Alsup ouviu outros dois casos apresentados pela Uber: um sobre os alegados danos da Waymo e outro tentando limitar os segredos comerciais que a Waymo pode apresentar no julgamento.

Sobre os danos, um advogado do Waymo respondeu que a empresa havia fornecido um documento de 26 páginas descrevendo suas teorias sobre os prejuízos.

Fonte: ArsTechnica