Samsung assina acordo para tratamento de operários vítimas da produção de chips

Por Wagner Wakka | 24 de Julho de 2018 às 14h55
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A Samsung assinou um acordo nesta terça-feira (24) que encerra um processo de mais de uma década da fabricante sul-coreana. Operários e famílias de ex-operários pressionaram por anos a empresa sobre o tratamento de funcionários que morreram ou ficaram doentes em função de produtos químicos utilizados para a fabricação de aparelhos.

A Samsung assinou um acordo ainda a ser determinado por um mediador independente. Isso quer dizer que ambas partes já aceitam de antemão a proposta do comitê independente que indica o montante ainda a ser entregue para as partes. A expectativa é de que este resultado saia ainda em outubro.

Os funcionários foram representados por um grupo da categoria, o qual assinou a negociação e decidiu as formas que julgam necessárias para compensar as vítimas da fabricação dos aparelhos.

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Durante os anos, são vários os casos de operários que questionam a fabricante sobre o processo de produção de seus aparelhos e reclamam dos malefícios do trabalho, principalmente os setores de semicondutores e telas. Os problemas estão relacionados à leucemia e, por vezes, à morte direta.

O estopim para o início do movimento interno teria sido a morte de Hwang Yu-mi. A funcionária teria adoecido com leucemia, após trabalhar por 20 meses com produtos químicos usados na fabricação de chips. A reclamação é de que ela teria acesso limitado a equipamentos de proteção, segundo o Wall Street Journal. A jovem morreu aos 21 anos em 2007.

Somente 7 anos depois, a corte de Seul viria a reconhecer que a morte da garota foi resultado de seu trabalho.

Contudo, esta reclamação não é recente. Um grupo chamado de Saúde e Direitos para Pessoas da Indústria de Semicondutores (Sharps, da sigla em inglês), já soma mais de 80 casos de funcionários da Samsung desde os anos 1990, entre eles câncer de mama, esclerose múltipla e linfomas malignos. Destes, 23 já foram reconhecidos pela corte do país como relacionados a questões trabalhistas.

De acordo com o Wall Street Journal, a Samsung se negou a comentar sobre o número de vítimas, mas considerou “significativo” buscar uma solução para o assunto.

Atualmente, a Samsung é a maior fabricante de chips, sendo que o setor corresponde a 74% das receitas da empresa, de acordo com o mais recente relatório da companhia.

Em contrapartida, a fabricante, em 2015, começou um programa internet de compensação para as vítimas da fabricação de chips. A Samsung direcionou um montante de US$ 88 milhões para a criação de um fundo direcionado à vítimas do processo. A ação, sem uma medida para evitar a recorrência do problema, foi considerada pela Sharps com apenas paliativa e não representou um esforço concreto de solução da questão.

Este novo acordo, contudo, é visto pela instituição como uma nova oportunidade de corrigir uma questão humana.

Fonte: Wall Street Journal

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