Qualcomm é multada em US$ 272 milhões por práticas anticompetitivas

Por Felipe Demartini | 18 de Julho de 2019 às 11h13
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A Qualcomm recebeu uma segunda multa da União Europeia, desta vez no valor de US$ 272 milhões, por práticas anticompetitivas. A penalização foi emitida nesta quinta-feira (18) e é referente a um inquérito aberto em 2015, que investigou uma manipulação nos preços para gerar desvantagens para a Icera, uma fabricante de smartphones da Grã Bretanha.

De acordo com a investigação, a Qualcomm teria aplicado preços maiores a certas quantidades de chips UMTS no fornecimento para a empresa, enquanto vendia as mesmas unidades para outras duas fabricantes do setor mobile, a ZTE e a Huawei, por preços abaixo do custo. O esquema teria ocorrido entre 2009 e 2011.

A manipulação de preços está relacionada à concorrência com a Icera no setor de chips mobile voltados para conexões 2G, 3G e wireless. A companhia estava em ascensão e vinha chamando a atenção do mercado, principalmente depois que se tornou parceira preferencial de nomes como Nvidia, LG e Vodafone em algumas partes do mundo. Para Margrethe Vestager, comissária de competição da União Europeia, os atos da Qualcomm barraram a inovação e limitaram o poder de escolha de fabricantes e consumidores.

Segundo o inquérito, as manipulações de preços teriam se encerrado em 2011, no mesmo ano em que a Icera foi adquirida pela Nvidia e seus trabalhos no setor mobile começaram a se tornar menos agressivos, enquanto ocorria uma tentativa de integração dos chips com a plataforma Tegra. Isso levou a uma redução na presença geral da fabricante no mercado até que, em 2015, ela encerrou suas atividades definitivamente.

O valor de US$ 272 milhões corresponde a meros 1,2% do lucro global da Qualcomm no ano passado, e como a manipulação de preços deixou de ocorrer em 2011, o bloco decidiu não pesar demais a mão na penalização, preferindo que ela servisse como um exemplo para outras empresas que tentarem trabalhar da mesma maneira no mercado de hoje, principalmente na aproximação da implantação de redes 5G no Velho Continente.

Enquanto isso, a Qualcomm não se pronunciou sobre o assunto. A empresa também responde a um processo movido pela Nvidia pelo mesmo motivo, com a fabricante de chips sendo acusada pela dona da Icera de contribuir para a queda no faturamento da empresa, o que acabou levando à sua saída do mercado.

Fonte: Comissão Europeia

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