Qualcomm acusa Apple de “chantagem” e aumenta briga na justiça

Por Redação | 25.05.2017 às 12:18

A batalha judicial entre Apple e Qualcomm pelo pagamento de royalties de tecnologias usadas no iPhone não para de crescer. Agora, a fabricante de chips acusa a Maçã de chantagem, já que ela teria instruído seus parceiros de fabricação que também interrompessem as remessas de dinheiro para a companhia, como uma forma de forçar um acordo.

Os comentários fazem parte de uma extensão no processo, registrada na última semana, que ampliou o litígio a quatro fornecedoras da Apple, entre elas a Foxconn, que trabalha mais ativamente na fabricação de iPhones. A ideia, afirmam os advogados da Qualcomm, é que a Apple estaria usando seu poder e influência para levar o processo a uma situação insustentável, de forma que a fabricante não tenha opção a não ser aceitar um acordo desequilibrado fora dos tribunais.

Segundo a companhia, isso se deve ao fato de que a Apple sabe que está errada e, sendo assim, reconhece que jamais conseguiria um resultado favorável como resultado do processo agora em andamento. O valor que estaria sendo “segurado” pelas fornecedoras foi mantido em sigilo, a pedido das duas empresas, mas as cifras ultrapassariam as dezenas de milhões de dólares.

Além disso, os advogados citam declarações públicas de executivos da Apple, como as do próprio CEO Tim Cook, como uma amostra de que a companhia não está disposta a negociar caso os termos não lhe sejam favoráveis. No processo, movido em janeiro, a Qualcomm pede US$ 1 bilhão em reparações pelo uso não licenciado de tecnologias em alguns dos principais produtos da Maçã, como iPhones e iPads.

Após falhar em chegar a um acordo com a Qualcomm no início do ano, a Apple afirmou publicamente que começaria a reter todos os pagamentos de royalties que estariam destinados a ela. Nas palavras de Cook, a fabricante estaria cobrando valores abusivos por suas tecnologias, que nem seriam uma parte tão integrante ou importante assim dos iPhones, apesar das declarações da rival.

O presidente executivo disse que a Apple paga cerca de cinco vezes mais do que as concorrentes pelo mesmo tipo de tecnologia, uma vez que os cálculos da Qualcomm levam em conta o valor de venda dos dispositivos licenciados, e não a participação de suas tecnologias em sua fabricação. O executivo não nega a necessidade de pagamento, mas cita os valores como exagerados e afirmou que nenhum valor será transferido enquanto as companhias não chegarem a um acordo.

Essa postura, agora, parece estar sendo estendida também a toda a cadeia de produção do iPhone, o que teria levado ao rompimento dos contratos entre a Qualcomm e as fornecedoras. A fabricante calcula que, ao longo de todo o processo, pelo menos alguns bilhões em royalties não serão pagos, causando grande dano ao faturamento e desempenho da empresa no mercado.

Agora, ela deseja, judicialmente, forçar os fornecedores a realizarem tais pagamentos – uma briga entre peixes menores, com maior possibilidade de sucesso. Enquanto isso, mantém seus apelos à justiça americana para que barre as importações do iPhone, efetivamente impedindo a venda de novos modelos nos EUA, com base em leis de licenciamento do país. Se aceito, o pedido pode ter impacto violento no lançamento do tão comentado iPhone 8, que chegaria às prateleiras no final deste ano.

Fonte: Barrons