Herdeiro da Samsung é condenado a 5 anos de prisão por corrupção

Por Redação | 25 de Agosto de 2017 às 09h37

O presidente do Conselho de Administração da Samsung, Lee Jae-yong, foi condenado a cinco anos de prisão após ser considerado culpado de corrupção. Ele foi acusado de fazer doações para fundações sem fins lucrativos em troca de favores políticos, com o objetivo de alinhar o caminho para uma fusão polêmica aprovada em julho de 2015. 

Esse é o segundo caso jurídico que abalou a Coreia do Sul recentemente. No último ano, um escândalo político dominou o país asiático e culminou com o impeachment da presidente Park Geun-hye, em março de 2017. 

A decisão judicial ocorreu poucos dias depois que a Samsung lançou o Galaxy Note 8 em Nova York.

A Justiça sul-coreana considerou que Lee-Jae-young, o terceiro homem mais rico da Coréia do Sul, aprovou subornos da Samsung para garantir o apoio do governo na fusão da empresa, que daria mais controle a ele.

A decisão é o ápice de uma investigação criminal que passou pelo processo político e a derrubada da presidente. Lee foi considerado culpado por pagar suborno a Choi Soon-sil, amigo e confidente de Park, que teria bons olhos para a manobra da empresa.

Lee Jae-yong (à direita), condenado a cinco anos de prisão

A sentença de cinco anos é menor do que os 12 anos pedidos pelos promotores, e os advogados de Lee vão entrar com uma apelação, que pode ser encaminhada para a Suprema Corte da Coreia do Sul em 2018. A pena de prisão de cinco anos é a mais longa entregue a um alto executivo de conglomerados sul-coreanos, apesar de ainda existir a possibilidade de suspensão da sentença. No entanto, o novo presidente, Moon Jae-in, indica que vai ter uma postura rígida contra crimes dessa natureza, o que tornaria o perdão menos provável.

Entenda o caso

A Samsung é apenas um dos vários conglomerados sul-coreanos acusados de pagar subornos para obter favores políticos. 

A ex-presidente Park foi acusada de auxiliar em um esquema de extorsão com o assessor não oficial Choi Soon-sil. Mais de 50 empresas foram pressionadas para fazer doações que chegaram ao valor de US$ 69 milhões para fundações esportivas apoiadas por Choi, que foram criadas após a fusão de empresas do grupo Samsung. Essas fundações, depois, foram utilizadas para ganhos financeiros pessoais e como moeda de troca para garantir a aprovação de negócios controversos.

E-mails armazenados em um tablet de Choi Soon-sil mostraram como ele recebeu dinheiro da Samsung. Esse pagamento levou Choi a pressionar a ex-presidente a aprovar a fusão de 2015, que por sua vez assegurou o controle de Lee sobre a Samsung Electronics.

Lee foi preso em fevereiro de 2017, e seu julgamento começou em abril. A ex-presidente Park Geun-hye foi presa no final de março, depois de perder sua imunidade. Park, Choi e Lee estavam no mesmo centro de detenção, mas enfrentaram o julgamento separadamente. A condenação de Lee vai fornecer mais elementos aos procuradores no caso contra Park.

Implicações para a Samsung

Lee Jae-yong é neto do fundador da Samsung, Lee Byung-chul, e o único filho de Lee Kun-hee, o atual presidente do grupo Samsung. Desde o ataque cardíaco de seu pai, em 2014, Lee foi visto como responsável pela empresa, apesar de não poder assumir o título oficial de presidente.

Lee negou as acusações, dizendo que quaisquer pagamentos foram feitos sem o seu conhecimento e que em nenhum momento ele esperava um tratamento especial do governo. A Samsung emitiu declarações ao longo do processo no mesmo sentido: "A Samsung não fez contribuições para receber favores".

As implicações da condenação de Lee ainda não foram sentidas. Quando ele foi preso pela primeira vez, um funcionário da empresa disse que o fato poderia comprometer a capacidade da Samsung de tomar decisões e investimentos importantes, mas que seria improvável que a operação da empresa fosse afetada. O que é praticamente certo é que essa decisão interrompe qualquer plano de Lee para assumir o controle total da empresa.

Algumas decisões já foram tomadas. O escritório de estratégia, que aprovou e enviou os pagamentos às fundações, foi fechado, e a empresa não participará mais de atividades com a Federação das Indústrias da Coreia, um grupo de lobby que atua como intermediário entre o governo e as empresas.

A Samsung ainda não se pronunciou sobre a condenação. No entanto, o escândalo não afetou as vendas dos dispositivos móveis da empresa, nem diminuiu sua produção.