PF faz operação contra Unick Forex por pirâmide financeira com criptomoedas

Por Wagner Wakka | 17 de Outubro de 2019 às 13h45

A Polícia Federal executou nesta quinta-feira (17) a chamada Operação Lamanai, cujo alvo é a Unick Forex, acusada de organização criminosa por montar um esquema de pirâmide financeira por meio de criptomoedas. A companhia de São Leopoldo (RS) prometia a investidores o dobro do capital em seis meses, além de pagamentos para quem convencesse novos participantes.

Segundo a Receita Federal, a Unick Forex recebia até R$ 40 milhões por dia em transações com seus investidores. A Polícia Federal envolveu 200 agentes na operação, para o cumprimento de 65 ordens de busca e apreensão Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Caxias do Sul, Curitiba, Bragança Paulista, Palmas e Brasília. Ainda há 10 mandados de prisão em andamento.

Para a Polícia, a proposta da Unick Forex configura esquema de pirâmide já que novos investidores subsidiam remuneração de quem está há mais tempo com recursos na empresa. A companhia também é suspeita de compra de criptomoedas para enviar dinheiro ao exterior, o que configura evasão de divisas.

“O inquérito policial foi instaurado em janeiro deste ano e apurou que os clientes do grupo eram atraídos pela promessa de retorno na ordem de 100% sobre o valor investido, no prazo de seis meses. A captação de recursos estava estruturada em formato conhecido como de pirâmide financeira, em que os novos investidores subsidiam os pagamentos de remuneração daqueles que já aplicaram recursos há mais tempo”, explicou a PF em nota.

O presidente e fundador da Unick, Leidimar Lopes, está em Belize, país conhecido como paraíso fiscal, onde a companhia tem outra sede. O executivo já era suspeito de esquema de pirâmide em outra empresa, chamada Phoner, cujo CNPJ também foi usado para fundar a Unick.

A ação já era prevista, uma vez que, neste ano, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) notificou a empresa, exigindo a abstenção das atividades. Ao ser ignorado, o mesmo órgão também emitiu uma ordem de fim das operações, que também não foi respeitada.

Com isso, a CVM chegou a emitir alertas no mercado, apontando a Unick como empresa de pirâmide financeira. Sem conseguir pagar as dívidas, a companhia entrou com pedidos de reestruturação financeira e apontou que tinha sofrido um desvio fraudulento de mais de US$ 1 bilhão.

Além das acusações de esquema de pirâmide financeira e evasão de divisas, a empresa também pode responder por lavagem de dinheiro.

Fonte: PF

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