Justiça exige que PSafe pare de exibir o DU Speed Booster como vírus

Por Redação | 19.08.2015 às 11:32

Nesta terça-feira (18), a 11ª Vara de Justiça Cível de São Paulo determinou que o antivírus PSafe Total remova de seu aplicativo mensagens mentirosas contra o DU Speed Booster, um acelerador de downloads que faz parte da chinesa Baidu. A PSafe conta com investimentos de outro grupo chinês, o Qihoo, e a decisão da Justiça visa evitar que continue havendo uma concorrência desleal entre os serviços.

No pedido apresentado à Justiça, a Baidu conseguiu provar que a PSafe enganava os usuários do antivírus, emitindo a eles alertas como se o DU Speed Booster fosse um aplicativo de risco, como um vírus. Uma análise feita pelo pesquisador Paulo Lício de Geus, professor associado à Unicamp, mostrou que o antivírus classificava qualquer aplicativo da Baidu como "pouco usados", incentivando os usuários a removê-los, independentemente deles usarem ou não os tais apps.

PSafe-Baidu

Para comprovar o ato de má-fé da PSafe, o pesquisador criou um app vazio chamado "Dummy Browser", que não possui nenhum código, ou seja, não apresentaria risco algum ao usuário que o tentasse abrir. Ao instalar o app fantasma em um dispositivo com o PSafe Total em atividade, o antivírus notificou o usuário que o Dummy Browser era "perigoso", recomendando sua remoção.

Confirmada a atividade abusiva, a Justiça determinou um prazo de cinco dias para que a PSafe tire o DU Speed Booster da categoria de "suspeitos" e remova as mensagens que aconselham os usuários a desinstalarem os aplicativos da Baidu de seus aparelhos, suspendendo também o processo que a empresa do antivírus movia contra a Baidu desde fevereiro deste ano.

Softwares e aplicativos de antivírus pedem diversas permissões aos sistemas operacionais nos quais são executados e essa necessidade pode fazer com que o programa gere alertas indevidos contra outros. No entanto, constatado que todos os demais aplicativos da Baidu estavam na mesma classificação de apps que representavam risco, a perícia concluiu que se tratava de uma prática intencional e desleal, o que foi apoiado pela Justiça de São Paulo.