Google é acusado de espionar e demitir funcionários que tentavam criar sindicato

Por Felipe Demartini | 08 de Dezembro de 2020 às 08h22
Mitchell Luo / Unsplash

O Google está sendo acusado de espionar e demitir funcionários envolvidos na formação de um sindicato de trabalhadores da empresa. A afirmação aparece em uma reclamação formal submetida pela Agência Nacional de Relações Trabalhistas (NLRB, na sigla em inglês, traduzida livremente), um órgão oficial do governo dos Estados Unidos voltado, justamente, para reger o comportamento de empregadores e colaboradores, assim como normas relacionadas.

Oficialmente, o grupo de colaboradores foi demitido em 2019 devido a violações da política de segurança de dados da companhia. A NLRB, entretanto, afirma que tais quebras estariam relacionadas ao uso de aplicativos oficiais de calendário para organização de reuniões e protestos trabalhistas contra o Google, com a regra relacionada a isso sendo incluída nos manuais da companhia somente depois das dispensas.

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Dois ex-funcionários, Laurence Berland e Kathryn Spiers, são identificados nominalmente na reclamação e apontados como os líderes da organização sindical. Outros nomes são citados, mas aparecem ocultos na divulgação oficial do documento ao público, como forma de proteger os envolvidos no processo que pode demorar anos para ser resolvido, entre diferentes trâmites judiciais. A primeira audiência sobre o assunto, por exemplo, está marcada apenas para o dia 21 de abril, com o processo seguindo adiante apesar de, a qualquer momento, as partes poderem chegar a um acordo.

Mesmo com toda a demora, os envolvidos consideram a reclamação feita pelo órgão uma vitória, principalmente por ter acontecido durante um governo que, ao longo dos últimos quatro anos, se envolveu pouco em questões trabalhistas. Segundo Berland, o registro é um marco importante para a organização sindical e o direito dos trabalhadores ao posicionamento, enquanto grandes corporações tentam garantir que o caminho contrário seja seguido pela sociedade.

Já Spiers afirma ter sido demitida de maneira ilegal, como forma de retaliação por suas ações, e que o processo pode reverter a decisão da diretoria do Google. Ela também diz que a empresa mentiu a colegas de trabalho sobre seus atos e que, ainda que seu emprego seja recuperado, os danos à sua credibilidade podem não ser, o que torna o posicionamento da NLRB importante.

Em resposta oficial, o Google disse apoiar uma cultura interna de discussões entre seus colaboradores, além de confiar neles “imensamente”. Por outro lado, a empresa afirmou que leva as questões ligadas à segurança de suas informações muito a sério e que, por conta disso, segue confiante nas decisões que levaram à demissão dos funcionários citados na reclamação, uma vez que as atitudes tomadas pelos atingidos representaram violações séries das políticas da companhia e uma brecha “inaceitável” de responsabilidade.

Fonte: Gizmodo

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