Documentos comprovam que Google retaliou funcionários que denunciaram abuso

Por Felipe Ribeiro | 25 de Setembro de 2019 às 10h44
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Um ano após funcionários da Google protestarem contra abusos e crimes contra a honra, documentos obtidos pelos sites Motherboard e Recode revelam que a empresa retaliou esses trabalhadores por conta das ações dessas denúncias e manifestações. Ao todo já são 45 casos de represálias da gigante das buscas, além de diversas tentativas de resoluções por parte dessas pessoas, mas sem sucesso.

As histórias documentadas foram coletadas depois que Meredith Whittaker e Claire Stapleton, organizadoras da manifestação do ano passado, chamada de "Google Walkout", publicaram uma carta aberta sobre como estavam enfrentando retaliações da diretoria da Google depois de falarem sobre supostos abusos e assédio.

O documento, intitulado "Histórias de Retaliação", inclui vários relatos. Um deles, por exemplo, feito por uma mulher identificada apenas por "LatinX", diz que ela viveu e presenciou "racismo flagrante e coisas sexistas do meu colega de trabalho". "Nada aconteceu. Fui avisada de que 'as coisas ficarão muito sérias se continuarem'. Definitivamente, senti que queriam 'proteger o homem', como sempre ouvimos falar. Eu, que fui vítima, não fui protegida. Eu pensava que a Google era diferente", continuou.

Outro funcionário contou este episódio:

“Testemunhei várias situações em que as mulheres estavam sendo menosprezadas, insultadas e ignoradas. Como a pessoa com o segundo cargo mais alto da minha equipe, sugeri ao meu superior que ele deveria enfrentar algumas dessas questões. Por causa da minha atitude, fui removido da minha posição de líder técnico e fui para outra equipe juntamente com a única mulher que restava sob o meu então gerente".

Cada história incluída no documento tem seu próprio título, incluindo “Promoção negada por retroceder”, “Ética e conformidade nem sempre são tão éticas”, “Denunciei meu agressor e descobri que não era a primeira”, entre outros, o que dá a dimensão do problema.

Google se defende

“Relatar má conduta exige coragem e queremos prestar assistência e apoio às pessoas que nos trazem essas situações. Todas as instâncias de conduta inadequada relatadas a nós são investigadas rigorosamente e, no ano passado, simplificamos como os funcionários podem fazer essas denúncias, fornecendo mais transparência ao processo de investigações na Google. Trabalhamos para ser extremamente transparentes sobre como lidamos com as denúncias e as medidas que tomamos", disse Eileen Naughton, vice-presidente do departamento pessoal da Google, em comunicado.

Embora a empresa tenha prometido resolver essas alegações e facilitar o processo de denúncia de assédio e abuso, estes documentos vazados não são os primeiros a destacarem o que acontece de errado na companhia. Em agosto, dois ex-funcionários da gigante das buscas escreveram memorandos individuais sobre como eles foram discriminados por serem negros e outro por estar grávida.

Fonte: The Next Web, RecodeMotherboard

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