Diretor da Samsung renuncia após ser preso por violar leis trabalhistas

Por Felipe Demartini | 14 de Fevereiro de 2020 às 14h20
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A Samsung perdeu nesta semana um de seus quatro diretores executivos. Preso desde o final do ano passado, Lee Sang-hoon foi condenado a 18 meses de encarceramento por tentativas de sabotar atividades sindicais. Os atos teriam ocorrido ao lado de 25 outras pessoas ligadas à companhia, que também receberam sentenciamento semelhante em dezembro, sob acusações de violações de leis trabalhistas e por tentarem dificultar a luta dos trabalhadores por melhores condições.

Entre os crimes cometidos por Lee estão tentativas planejadas de interromper atividades sindicais ou a subcontratação de empresas para a realização de atendimento a clientes e outros trabalhos específicos, de forma que elas não passassem pelo escrutínio dos órgãos. Os casos aconteceram enquanto o executivo era diretor financeiro da Samsung, um cargo que ele ocupou até se tornar membro da diretoria da empresa, em outubro de 2017.

Chega a ser curioso notar que a própria indicação do executivo para o cargo veio como uma medida da Samsung para aumentar a transparência de seus negócios. Há pouco mais de dois anos, a empresa decidiu separar a direção executiva e os membros da diretoria como forma de atribuir mais responsabilidade e direcionamento a suas diferentes atividades de negócio — e, também, como resposta aos escândalos envolvendo as associações entre seu vice-presidente, Lee Jae-yong, e a então presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye.

Condenado a 18 meses de prisão, Lee Sang-hoon é acusado de agir ao lado de outros executivos para impedir ações do sindicato (Imagem: Reuters)

No sentenciamento, o júri afirmou que “inúmeros documentos” comprovam a atuação de membros executivos da Samsung contra os sindicatos de funcionários. As ordens vinham diretamente dos superiores, incluindo Lee, e acabavam envolvendo outros setores da companhia, cujos executivos também acabaram sendo indiciados, condenados e, em alguns casos, também presos.

A defesa do então diretor afirmou que ele não poderia ser responsabilizado por todos os atos, uma vez que não teria ciência da maioria deles, enquanto a promotoria argumentou que as atividades contra as leis trabalhistas eram comuns e corriqueiras. O resultado foi a condenação a 18 anos de prisão, que está sendo cumprida pelo, agora, ex-executivo da empresa.

A Samsung não se pronunciou sobre o assunto, limitando-se apenas a confirmar a saída do diretor e informar que um sucessor será indicado em breve. A especulação é de que o posto será ocupado por um dos membros restantes do quadro de diretores ou, então, pelos CEOs de setores como mobile, componentes ou eletrônicos, os três segmentos de maior relevância dentro da estrutura da Samsung.

A saída de Lee também vem em uma hora difícil para a empresa, com o herdeiro e atual vice-presidente da Samsung, Lee Jae-yong, voltando aos tribunais para a repetição de seu julgamento por corrupção e suborno. Como dito, ele é apontado como participante de um esquema envolvendo a ex-presidente da Coreia do Sul e Choi Soon-sil, filha de um líder cultista cujas influências sobre o governo do país levaram a um dos maiores escândalos da história coreana.

Lee foi preso em janeiro de 2017, acusado de pagar mais de US$ 39 milhões em suborno a membros do governo. Em agosto daquele ano, o executivo foi condenado a cinco anos de prisão — a pena foi suspensa em fevereiro de 2018 e ele foi libertado, retornando agora aos tribunais para uma nova avaliação e provável sentenciamento.

Fonte: Reuters

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