Candidata à presidência dos EUA processa Google após ter conta suspensa

Por Felipe Demartini | 28 de Julho de 2019 às 18h00
Justin Sullivan/Getty Images

A pré-candidata à presidência dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, está acusando o Google de tentar interferir em sua campanha após o banimento de uma conta publicitária no final de junho. A afirmação aparece em um processo movido pela senadora, que representa o estado americano do Hawaii, no qual ela pede US$ 50 milhões em indenização, além de garantias de que a empresa interromperá qualquer tentativa de “censura ou restrição” ao perfil.

Em declarações que fazem parte da ação, Gabbard afirma que a Google tenta manipular a corrida pela candidatura democrata nas eleições americanas de 2020, minando o alcance de candidatos que teriam posturas contrárias aos interesses da empresa. Além da suspensão da conta, a senadora afirma que os filtros automatizados do Gmail costumam enviar comunicações políticas de seu gabinete e divulgações enviadas por e-mail para caixas de spam, um comportamento que ela já havia denunciado antes.

A gota d’água, entretanto, veio no dia 27 de junho, quando todos os anúncios de Gabbard nas plataformas da Google foram retirados do ar, após a suspensão de seu perfil publicitário por supostas irregularidades nos pagamentos das propagandas. Isso aconteceu, segundo a candidata, no mesmo momento em que as pesquisas por seu nome começavam a apresentar crescimento devido à sua participação em um debate televisionado que antecipa as eleições primárias do Partido Democrata.

O processo afirma que o banimento impediu que o site oficial da senadora aparece em primeiro lugar nas pesquisas por seu nome, enquanto propagandas direcionadas também deixaram de ser exibidas para usuários segmentados do YouTube. De acordo com as informações oficiais, a suspensão ocorreu das 21h30 de 27 de junho até às 3h30 da manhã seguinte, enquanto o debate ocorreu das 21h às 23h, em horário local. Informações posteriores indicaram Gabbard como uma das mais populares entre as pesquisas realizadas durante a após a transmissão.

Em resposta, a Google afirmou que a suspensão ocorreu de forma automática, depois que os algoritmos identificaram grandes gastos na conta de Gabbard. De acordo com a empresa, bloqueios desse tipo acontecem para proteger os usuários e prevenir fraudes na plataforma, com o perfil tendo sido liberado horas depois, com todas as propagandas também restabelecidas. A gigante também negou qualquer alinhamento político e disse que nenhuma ideologia está envolvida nesse tipo de decisão, que é tomada por seus sistemas de inteligência artificial.

A declaração foi criticada pelos representantes da senadora, que indicaram uma completa falta de transparência na atuação da empresa, que dificulta determinar se existe, mesmo, uma ausência de postura política por trás da decisão. Justamente daí veio a ideia de processar, para que o assunto possa ser analisado judicialmente e por instituições imparciais, que impeçam uma possível manipulação dessa categoria.

Gabbard, juntamente com outros candidatos que também fazem parte da corrida presidencial, afirmam costumeiramente que não somente a Google, mas também o Facebook, tendem a favorecer posturas conservadoras em suas plataformas e durante o processo de moderação de conteúdo. Tais acusações são apenas ventiladas no processo judicial, que invoca a Primeira Emenda da constituição dos Estados Unidos, que entre outros aspectos, garante a liberdade de expressão e manifestação política.

Fonte: Tulsi Gabbard (Scribd)

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