Brasileiro era operador de fraude financeira envolvendo bitcoins

Por Felipe Demartini | 30 de Abril de 2018 às 13h22

A promessa era de grandes lucros e faturamento alto com base nos resultados de jogos e torneios esportivos ao redor do mundo. A realidade, porém, foi de um prejuízo de R$ 200 milhões para investidores brasileiros e também de Argentina, Paraguai e diversos outros países, que acreditaram na D9 Clube de Empreendedores, empresa que é, agora, alvo de investigações em diferentes cidades do Brasil, além de estar na mira da Interpol.

Por trás do esquema está Danilo Vunjão Santana Gouveia, de 34 anos, que é acusado de crimes financeiros e de liderar um esquema de pirâmide. Ele foi preso em fevereiro deste ano na cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e agora é alvo de um processo de extradição para que possa responder pelos crimes cometidos no Brasil. O Ministério Público, entretanto, já adianta que não existem acordos relacionados a isso entre os dois países, o que deve levar a uma negociação bastante demorada.

Enquanto isso, os investidores aguardam reaver pelo menos parte dos valores colocados na D9, com montantes que vão de algumas dezenas de milhares de reais até mais de R$ 1 milhão. O grupo envolve desde empresários com dinheiro no bolso, em busca de maximizar seus ganhos, até gente humilde, que colocou economias e chegou a tomar empréstimo com a esperança de mudar de vida. Ações estão sendo movidas no sistema judiciário de diversos estados da federação, incluindo a Bahia, onde a empresa foi fundada, e Rio Grande do Sul, onde estão localizados os maiores operadores do esquema.

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As bitcoins eram um dos principais vetores de funcionamento da D9, uma variação que deu aparência de legalidade a um esquema de pirâmide financeira como tantos outros que já foram detonados no Brasil e no exterior. Os investidores compravam um pacote no valor de R$ 6.760 e recebiam a promessa de um lucro de mais de 300% em um ano. O dinheiro seria usado em sites de apostas esportivas na Inglaterra, algo que, por lá, é perfeitamente legal e, inclusive, tradicional. Além disso, cursos e palestras sobre trading esportivo seriam ministrados pela equipe da empresa. O problema é que nada disso aconteceu.

O retorno do investimento era pago semanalmente, com uso de bitcoins. Novamente como forma de dar uma aparência de legitimidade ao processo, as primeiras parcelas até eram transferidas, mas não eram fruto do lucro em apostas, mas sim do dinheiro colocado na empresa por outros recém-chegados no esquema, normalmente amigos ou familiares de pessoas encantadas pela promessa de lucro fácil e rápido. Imagens de ostentação faziam parte do processo, com membros que batiam metas ou ganhavam destaque exibindo carros de luxo e relógios de marca, além de participarem de seminários com os dirigentes da D9 e presença de famosos.

A ausência de acertos com relação ao investimento inicial, primeiro, era atribuída a um problema no sistema. Semanas depois, a empresa exigia mais um investimento para liberação do saldo total oriundo das apostas. O pagamento era efetuado pelos participantes, mas os ganhos jamais eram depositados. Nesse meio tempo, a empresa, aparentemente, permanecia funcionando e, supostamente, realizando as apostas e angariando novos membros.

Enquanto isso, Santana exibia, em seus perfis de redes sociais, imagens de uma vida de luxos e riqueza. Em eventos promovidos pela D9, além dos investidores, havia a presença de celebridades, principalmente do meio esportivo. Jogadores de futebol como Denilson e Marcelinho Carioca, bem como do comentarista Caio Ribeiro e dos apresentadores Sérgio Cursino e Larissa Erthal aparecem em diferentes peças de publicidade da empresa para divulgar seus serviços e atuação.

O esquema começou a desmoronar em março de 2017, mesma época em que as investigações começaram após denúncias de gente lesada pelo esquema, que deixaram de receber pagamentos. Em vídeo, ele disse ter se mudado para o exterior por motivos de segurança, após receber ameaças contra si e sua família. Além disso, afirma que os investidores saberão “de toda a verdade”, citando políticos e pessoas influentes que teriam informações divulgadas ao público.

“Colaboração premiada”

Investigações paralelas acontecem nas justiças do Rio Grande do Sul e da Bahia, estado-natal de Santana onde ele, inclusive, estaria tentando homologar um acordo de colaboração, entregando envolvidos e detalhando a operação do esquema em troca de uma redução de pena. A ideia, entretanto, estaria sendo apenas analisada e não foi confirmada pela polícia.

Enquanto isso, a D9 já destacou um advogado para se reunir com as vítimas da D9 em busca de soluções para devolução dos valores pagos e eventuais compensações, algo que seria o desejo do fundador da companhia. Entretanto, as primeiras reuniões sobre o tema não teriam chegado a nenhum resultado, com os atingidos afirmando que nenhuma proposta de ressarcimento foi apresentada até agora.

No Brasil, a investigação continua. Carros de luxo pertencentes a gerentes e operadores do esquema financeiro foram apreendidos pela justiça do Rio Grande do Sul. Enquanto isso, inquéritos também estão em andamento no Paraguai e nos Emirados Árabes Unidos, onde Santana foi preso no início deste ano.

Menos de duas semanas após sua detenção, porém, o presidente da D9 foi solto mediante o pagamento de fiança. Ele continua sob monitoramento das autoridades locais e não pode deixar o país sob risco de ser preso novamente pela Interpol caso desembarque em outro território. Enquanto isso, as vítimas do golpe permanecem de bolsos vazios, com dívidas a pagar e sem previsão de receberem um ressarcimento ou de verem o acusado respondendo por seus crimes no Brasil.

Fonte: UOL

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