Apple é processada por impedir funcionamento do FaceTime no iOS 6

Por Felipe Demartini | 30 de Agosto de 2019 às 12h11
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A Apple vai ter que se defender de mais uma ação de classe movida nos Estados Unidos, desta vez por donos de iPhone 4 e 4S. No processo, a empresa é acusada de “quebrar” intencionalmente o FaceTime no iOS 6, como forma de reduzir os custos com servidores para o serviço e forçar a atualização para a versão seguinte, o que tornou os celulares dos usuários mais lentos.

No centro da questão está a tecnologia que faz com que o FaceTime funcione. Originalmente, quando foi lançado, o sistema operava por meio de dois métodos: com uma conexão direta entre os usuários, o chamado protocolo P2P, ou o que a Apple chama de método “relay”, que dependia de servidores para a transmissão de dados de voz e vídeo.

O problema é que, em 2012, a Apple foi condenada por quebra de patente, por conta da utilização indevida de um protocolo P2P de propriedade da VirnetX. Além de pagar US$ 302 milhões em multas, ela foi obrigada a interromper a utilização da tecnologia, o que fez com que o FaceTime passasse a depender única e exclusivamente de servidores, um tipo de chamada que, antes, correspondia, no máximo, a 10% da utilização mensal do aplicativo. A conta resultante, claro, foi alta.

Sendo assim, a Apple rapidamente buscou uma solução e aplicou uma nova tecnologia P2P no FaceTime, sem infringir a patente de ninguém. O problema é que a novidade, inclusa em 2013 no iOS 7, não funcionava na versão anterior do sistema operacional, que também parecia pesado demais para os dispositivos antigos. Levando em conta a quantidade de iPhone 4 e 4S no mercado, manter o uso de servidores apenas para eles também seria inviável. Foi aí que veio o corte.

Na ocasião, a Apple afirmou que um bug impedia o funcionamento do FaceTime no iOS 6 e sugeria a atualização para a versão seguinte da plataforma. O processo, porém, afirma que esse problema foi intencional e não apenas forçou os usuários a realizarem o update, mas gerou efeitos danosos a eles pelo fato de a nova edição não funcionar bem nos aparelhos antigos, o que também pode ter levado a reposições de aparelhos antes da hora e gastos extras para os clientes.

A acusação é baseada em uma troca de e-mails entre engenheiros da Apple, obtida pelos responsáveis pela ação de classe. No contato, o diretor de engenharia da empresa, Patrick Gates, afirma saber que a companhia fez “algo no iOS 6 para reduzir a utilização do relay”, enquanto Gokul Thirumalai, também engenheiro, responde com todas as letras: “nós quebramos o iOS 6”. Segundo ele, isso aconteceu para reduzir a utilização de servidores.

De acordo com os advogados, ao realizar tal ação, a Apple quebra leis do estado da Flórida relacionadas às práticas de mercado sadias, além de causar danos intencionais às propriedades pessoais de seus clientes. O processo pede reparação financeira em nome de todos os afetados, indenizações por perdas e danos e também que a Apple pague os custos legais da ação.

Esta é a segunda ação de classe movida pelo mesmo motivo. A Apple enfrenta, desde 2017, um processo semelhante no estado da Califórnia e vem tendo suas tentativas de defesa derrubadas nos tribunais. O processo agora, deve seguir para julgamento (algo que a Maçã tentou evitar, e perdeu) que deve acontecer em data ainda não divulgada.

Fonte: Apple Insider

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