Advogado da Apple é acusado de usar informações privilegiadas ao negociar ações

Por Felipe Demartini | 25 de Outubro de 2019 às 14h20
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Gene Levoff, antigo diretor jurídico corporativo da Apple, foi indiciado pela justiça americana por usar informações privilegiadas na negociação de ações da companhia. A ironia do caso é que o advogado era um dos responsáveis por garantir que as políticas internas da empresa contra esse tipo de ação, ilegal segundo as leis dos Estados Unidos, fossem cumpridas.

De acordo com as informações do processo, Levoff usava o fato de ter acesso antecipado aos resultados financeiros da Apple para comprar e vender ações da empresa, não apenas para si, mas também em nome de outros indivíduos. Segundo a justiça, ele teria acumulado lucros de cerca de US$ 227 mil com essa atividade, bem como garantido ganhos de aproximadamente US$ 377 mil para outros envolvidos no esquema. Os nomes destas pessoas, bem como quantas são, porém, não foram revelados.

O indiciado seguia a cartilha do insider trading, um tipo comum de crime do colarinho branco. Ao ter acesso aos resultados favoráveis, Levoff comprava uma grande quantidade de ações da Apple enquanto o mercado estava em baixa e as revendia depois, uma vez que os acionistas reagiam aos números divulgados pela empresa, acumulando os ganhos resultantes dessa flutuação positiva. O dinheiro teria sido obtido ao longo de um período de cinco anos, entre 2011 e 2016, e se intensificado a partir de 2013, quando o advogado se tornou um dos diretores do departamento jurídico da companhia. Levoff trabalhou para a Apple de 2008 a 2018.

Gene Levoff, ex-advogado da Apple acusado de insider trading, deixa uma corte federal nos EUA após seu primeiro indiciamento, em fevereiro deste ano (Imagem: Natan Dvir/Bloomberg/Getty Images)

O advogado já havia sido indiciado na esfera civil sobre o caso e, agora, enfrenta também um processo criminal, com seis acusações de fraude financeira e outras seis de fraude bancária por conta das transferências oriundas dos lucros obtidos, feitas de forma a ocultar a origem do dinheiro. Caso seja condenado, ele pode pagar multas de dezenas de milhares de dólares e enfrentar uma pena de até 20 anos de prisão.

A Apple não se pronunciou sobre o indiciamento de Levoff, mas em fevereiro, quando surgiram as notícias do primeiro indiciamento, confirmou ter colaborado com as investigações do governo. Em declaração oficial da época, a empresa disse ter recebido denúncias sobre insider trading em meados do ano passado e ter realizado investigações que levaram também à demissão de alguns funcionários de setores não revelados da companhia.

Os advogados de Levoff falaram rapidamente à imprensa, sem alegar a inocência do cliente e afirmando apenas que trabalha “vigorosamente” para defender seu cliente. Ele responde ao processo em liberdade.

Fonte: CNBC

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