A pedido da Nubank, Cade abrirá inquérito para investigar bancos brasileiros

Por Ramon de Souza | 22 de Março de 2018 às 17h01

A Nubank, famosa fintech que se declara um banco 100% online, acaba de enviar uma representação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), resultando na abertura de um inquérito para investigar as cinco maiores instituições financeiras do país — Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander. O documento, que foi obtido pela revista Exame, descreve um possível caso de truste (oligopólio).

A requisição da Nubank envolve denúncias “por supostas infrações à ordem econômica ao prejudicar a livre concorrência no mercado de emissão de cartões de crédito e exercer de forma abusiva posição dominante”. Em outras palavras, a fintech afirma que os bancos estão dificultando a entrada de novos players no segmento, criando barreiras que complicam a vida de startups que trabalham com emissão de cartões de crédito.

A própria companhia afirma estar tendo dificuldades para firmar parcerias, contratar serviços que são essenciais para o bom funcionamento de suas soluções (como débito automático e extrato intraday) e obter acesso a informações financeiras críticas, como identificação de remetentes de recursos financeiros. Porém, a denúncia mais grave é direcionada ao Itaú, acusado de assediar funcionários da Nubank.

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De acordo com a fintech, um analista sênior do banco em questão entrou em contato com onze de seus profissionais para oferecer propostas de emprego. A maioria dos colaboradores assediados são desenvolvedores responsáveis por áreas críticas da startup; logo, tal campanha teria como objetivo fragilizar a estrutura da companhia e desmoralizar sua equipe interna.

O que as empresas têm a dizer?

O Canaltech entrou em contato com a Nubank para obter mais informações sobre o caso, mas a empresa afirmou que não vai mais comentar sobre o assunto e nos enviou um posicionamento-padrão a respeito, cuja íntegra você confere abaixo:

“Na Nubank, acreditamos que ter um mercado livre e competitivo garante que as pessoas tenham a liberdade de escolher os melhores serviços para elas, independente de qualquer restrição que o mercado imponha. Por isso, confiamos que as autoridades reguladoras continuarão a proteger e a estimular a competitividade no setor, garantindo que novos entrantes continuarão a ter espaço para inovar e oferecer mais e melhores opções para as pessoas”.

À revista Exame, o Itaú nega as acusações e afirma que “apresentará sua manifestação ao órgão de concorrência no devido prazo, confiante de que suas condutas serão consideradas legítimas”. Até o momento, as outras instituições não se comunicaram sobre o caso.

Fonte: Exame

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