Grupo islâmico solicita prisão de representante do Google no Brasil

Por Redação | 25.10.2012 às 11:25

A União de Entidades Islâmicas solicitou nesta quarta-feira (24) à Justiça de São Paulo a prisão do representante do Google no Brasil por não cumprir liminar e remover vídeo anti-islâmico do YouTube, sob o título de "A Inocência dos Muçulmanos". As informações são do jornal A Folha de S. Paulo.

O advogado do grupo, Adib Abdouni, alega que o prazo para a empresa remover o conteúdo do seu serviço venceu no dia 11 de outubro. E no dia 17, o advogado encaminhou o pedido de prisão a 25º Vara Cível do Tribunal de Justiça, responsável pela condução do caso.

O Tribunal, por sua vez, afirma que um representante do Google Brasil retirou o texto do processo no dia 10 de outubro, um dia antes de vencer o prazo de remoção do vídeo. "Essa liminar tem que ser cumprida. Como não foi, existe aqui um crime de desobediência", afirmou Abdouni, que também aumentou o valor da multa diária estimada anteriormente em R$ 10 mil.

Vídeo A Inocência dos Muçulmanos

O vídeo tem causado uma série de revoltas e confrontos no mundo islâmico

O conteúdo do vídeo de 14 minutos, dirigido por um cristão egípcio que vive nos Estados Unidos, tem sido o responsável por uma série de confrontos armados no mundo islâmico desde que foi ao ar no ano passado. No vídeo, o profeta Maomé é retratado como mulherengo e ambicioso e o estado islâmico é mostrado como violento.

"Nós apelamos da determinação para remover o vídeo. Por estarmos profundamente comprometidos com a liberdade de expressão, continuamos a recorrer dos pedidos que acreditamos serem incorretos", afirmou o Google em nota oficial sobre o caso.

O advogado da entidade afirma que a empresa não pode simplesmente deixar de cumprir a decisão judicial por estar recorrendo. No texto da liminar, a justiça afirma que o Google não possui o direito de censura prévia de nenhum material postado em seus serviços, no entanto, deve remover qualquer conteúdo quando determinado pela justiça.

No último mês, o Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul determinou a prisão do diretor-geral do Google Brasil, Fabio José da Silva Coelho, por se negar a remover vídeos que supostamente comprometiam a candidatura de alguns políticos no pleito de 2012. Coelho foi detido pela Polícia Federal de São Paulo para prestar esclarecimentos e foi solto logo em seguida depois de o juiz revogar seu pedido de prisão.