Empresas de tecnologia exigem mais transparência do governo dos EUA

Por Redação | 12 de Junho de 2013 às 13h53

Google, Facebook e Microsoft enviaram nesta terça-feira (11) comunicados solicitando que o governo dos Estados Unidos tenham mais transparência com relação aos pedidos de segurança nacional, em uma tentativa de se distanciarem das acusações de que são fortes colaboradores do esquema de espionagem eletrônica sigilosa, conhecido como PRISMA. As informações são da agência de notícias Reuters.

As empresas também solicitaram permissão do governo para tornarem públicos os números de pedidos de quebra de sigilo e dados de usuários que cada uma recebe de agências de segurança. Após a revelação de documentos secretos sobre o programa de espionagem, as companhias de internet estão sendo acusadas de garantir acesso livre aos servidores a agentes de segurança, permitindo assim que o governo norte-americano possa vasculhar os dados e informações de milhares de pessoas ao redor do mundo.

O Google foi a primeira empresa a se pronunciar publicamente solicitando a autorização para divulgar o número de pedidos de dados que recebe de órgãos governamentais. "As afirmações que circulam na imprensa afirmando que nossas atitudes diante dessas solicitações concedem ao governo dos EUA acesso irrestrito dos dados de nossos usuários são simplesmente falsas", escreveu David Drummond, diretor jurídico do Google, em carta enviada ao secretário da Justiça, Eric Holder, e ao diretor do FBI, Robert Mueller. O relatório de transparência mais recente do Google não mostra dados solicitados através do Ato de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA).

Pouco tempo depois, foi a vez da Microsoft se pronunciar sobre o assunto em nota oficial. "Permitir maior transparência sobre o volume agregado e o escopo das solicitações de segurança nacional, incluindo os pedidos sob o FISA, ajudaria a comunidade a entender e debater essas importantes questões", disse a companhia em carta enviada por e-mail.

"Receberíamos bem a oportunidade de fornecer um relatório de tranparência que nos permita compartilhar com aqueles que usam o Facebook ao redor do mundo um quadro completo dos pedidos do governo que recebemos e como respondemos a eles", afirmou Ted Ullyot, advogado-geral do Facebook. "Pedimos que o governo dos EUA ajude a tornar isso possível ao permitir que companhias incluam informações sobre o tamanho e o escopo dos pedidos de segurança nacional que recebemos, e estamos ansiosos para publicar um relatório que inclua essa informação".

Governo dos Estados Unidos avalia danos à segurança nacional

Diante das pressões internas e externas, o governo norte-americano lançou uma revisão para a análise dos possíveis danos causados à segurança nacional depois dos documentos vazados por Edward Snowden, 29 anos, sobre a operação PRISMA, como informa fonte graduada da inteligência dos Estados Unidos. A revisão deve ser conduzida com o inquérito policial contra Snowden.

O governo pretende determinar com a revisão se os vazamentos comprometeram fontes de informação e métodos de vigilância usados pela Inteligência. A consultoria Booz Allen Hamilton, terceirizada que presta serviços ao Pentágono e onde Snowden trabalhava, também informou que o demitiu na última segunda-feira (10) por violação de seu código de ética e de suas políticas internas.

As revelações dividiram setores governamentais e civis, com alguns avaliando positivamente a posição de Edward Snowden na divulgação dos documentos e muitos outros exigindo que ele seja penalizado por seus atos. O jovem responsável pelo vazamento se encontra em Hong Kong, China, e o FBI e a CIA estão a sua procura, bem como interrogando pessoas ligadas a ele, para precisar sua localização e conseguir extraditá-lo.

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