Empresa afirma que inventou os 'tiles' do Windows 8 e processa Microsoft

Por Redação | 01.11.2012 às 13:55

Uma empresa de poucas patentes e nenhum produto em seu nome (que se enquadra na categoria de "entidade não-praticante" ou "troll de patentes") processou a Microsoft, alegando ter inventado a interface baseada nos quadrinhos dinâmicos chamados 'tiles' (azulejos), que é hoje utilizada no Windows 8 e no Windows Phone. As informações são da Ars Technica.

Conhecida como SurfCast e com sede em Portland, no Maine, a empresa possui um site que exibe apenas o que ela possui em mente: litígio de patente. A home page descreve sua "tecnologia de Sistemas Operacionais" sem fazer referência a nenhum produto real, enquanto a seção de "Novidades" do site contém apenas um item: a ação judicial, em PDF, arquivada ontem, contendo toda a reclamação contra a Microsoft na Corte Distrital dos EUA, no Maine.

"Nós desenvolvemos o conceito dos 'tiles' em 1999, o que estava à frente de seu tempo. Os 'Live Tiles' da Microsoft são a peça central dos novos sistemas operacionais da empresa, mas estão cobertos pela nossa patente", relatou o CEO da SurfCast, Ovídio Santoro, em uma citação publicada no site.

Ao que parece, tal site está no ar desde 1999, mas seu layout é o mesmo desde 2003. Tudo que mudou foi a forma como a SurfCast descreve sua tecnologia - as últimas versões do site foram editadas para fazer com que tal tecnologia se parecesse mais com a da Microsoft.

A SurfCast detém quatro patentes e está processando a Microsoft por uma delas, a de número 6724403 (petição realizada em 2000 e recebida em 2004), que cobre um "sistema e um método de exibição simultânea de várias fontes de informação".

"Em particular, esta invenção compreende uma interface gráfica com o usuário que organiza conteúdo a partir de uma variedade de fontes de informação em uma grade de quadros (os 'tiles'), sendo que cada qual pode atualizar seu conteúdo de maneira independente dos outros", diz a patente.

Isso, de fato, parece bastante similar à mais nova interface da Microsoft, na qual os chamados 'Live Tiles' representam aplicações e oferecem informações atualizadas nas telas de tablets, smartphones e PCs. Mas a Microsoft possui pelo menos uma das suas patentes sobre tal tecnologia, com petição em 2006 e concedida em 2011, que abrange um 'espaço com quadros na interface com o usuário em dispositivos móveis'.

A patente da Microsoft refere-se a dezenas de patentes anteriores, incluindo uma referenciada no processo da SurfCast e duas outras de propriedade de Santoro. A patente da Microsoft foi finalmente concedida, portanto, o Escritório de Marcas e Patentes dos EUA achou a invenção suficientemente original. O problema é que o processo da SurfCast apodera-se de uma rejeição que a Microsoft recebeu no início do processo de revisão de patentes.

"Durante o acompanhamento do pedido que emitiu a patente número 632, o examinador de patentes citou a de número 403 como arte prévia relevante, sendo parte de uma rejeição não-final, datada de 21 de abril de 2009", afirma a ação judicial da SurfCast. "Assim, a Microsoft teve conhecimento da patente 403, até, no mínimo, 21 de abril de 2009".

A SurfCast acusa a Microsoft de infringir a patente 403 em todas as versões do Windows 8, do Windows RT, do Windows Phone 7 e do Microsoft Surface. E a empresa ainda acusa a dona do Windows de induzir seus clientes a infringirem a patente ao utilizar produtos Microsoft, e também ao instruir desenvolvedores a criarem aplicativos sob a mesma condição.

Para parecer injuriada, a SurfCast diz que sofreu "danos e lesões" com a possível infração. Mas desde que esta empresa afirma que inventou a tecnologia baseada em 'tiles' nos anos 90, e nunca vendeu um produto sequer que fosse baseado nela, fica difícil entender por que o uso destes 'tiles' pela Microsoft não está gerando nenhum lucro à empresa.

Ao procurarmos na WayBack Machine, do Internet Archive, podemos encontrar uma referência que, em 2004, a SurfCast estava divulgando sua tecnologia patenteada sem nem mesmo utilizar a palavra 'tile'. Na época, a SurfCast alegou ser a construção de uma nova interface "para obter o máximo de velocidade de banda larga".

"O novo tipo de interface da SurfCast é o ponto de partida de um novo 'paradigma de página' de navegador e de janelas, ícones, menus e ponteiros (WIMP). A SurfCast torna conceitos como 'browser', 'desktop', 'ícone', 'histórico' e 'bookmark' obsoletos", disse a empresa na época.

Em 2009, a SurfCast descreveu sua tecnologia como uma "aplicação ao vivo, baseada em serviços da web". E começou a utilizar a palavra 'tiles' para descrever a tecnologia em 2011 - depois que a Microsoft já havia começado a trabalhar na interface baseada nos mesmos 'tiles', para Windows Phone.

O site da SurfCast lista sete fundadores e diretores com experiência na IBM, Perot Systems, Cisco, Deutsche Bank Capital e outras organizações. Agora, a empresa está pedindo nos tribunais para declarar à Microsoft que esta infringiu sua patente e induziu outras pessoas a fazerem o mesmo.

A Surfcast não pediu uma liminar que impedisse a venda de nenhum dos produtos da Microsoft. Ao invés disso, ela deseja que a "Microsoft contabilize e pague todos os danos causados à SurfCast por motivo de violação de patentes".

Ainda de acordo com o Ars Technica, que entrou em contato com a Microsoft, a empresa escreveu uma breve declaração, com os seguintes dizeres: "Estamos confiantes que iremos provar aos tribunais que estas alegações são infundadas e que a Microsoft criou uma experiência única e original para o usuário".

Vamos aguardar pelas cenas dos próximos capítulos.