Windows | Paciência foi criado para ensinar as pessoas a usarem o mouse

Por Felipe Demartini | 22 de Maio de 2018 às 14h30

Você, provavelmente, está começando a ler esta notícia ainda com a mão no mouse, após clicar na manchete. É um comportamento padrão nos dias de hoje, mas que, há apenas 28 anos, soava como um impeditivo para muitos usuários de informática. Tanto que, em 1990, a Microsoft introduzia o jogo de Paciência, um clássico do Windows, como forma de ensinar as pessoas a utilizarem o periférico.

Era uma época em que interfaces gráficas ainda eram uma novidade e os aficionados pela tecnologia ainda estavam acostumados aos monitores de fósforo verde e linhas de códigos. Os computadores começavam a invadir o mercado corporativo, mas muita gente não tinha esse tipo de intimidade com as máquinas. Os sistemas operacionais como os conhecemos hoje nasceram da necessidade de tornar todo o ecossistema mais amigável, mas isso trouxe diversos outros desafios, sendo que o primeiro deles foi, justamente, o mouse.

A revelação sobre as origens de Paciência veio em uma reportagem do The Washington Post. O jornal americano relembra o vício dos executivos e funcionários de companhias da época da chamada “informatização” e debita a ele algumas mudanças importantes no mercado de trabalho. Antes, por exemplo, as telas ficavam voltadas para a parede, de forma a não incomodar os olhos dos funcionários. Com a procrastinação causada pelos jogos, entretanto, veio a necessidade de supervisão e os monitores tiveram que ser colocados ao contrário.

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A introdução de Paciência o tornou, por quase duas décadas, uma das aplicações mais utilizadas do Windows, até ser removida do sistema operacional em sua versão 7. O mesmo vale para Campo Minado, outro game que se tornou aliado na hora de ensinar as pessoas a usarem o mouse, mas que nasceu por ser um preferido dos desenvolvedores do sistema operacional, incluindo o próprio Bill Gates.

Visual do Paciência no Windows 3.1 (Imagem: Reprodução)

Ele, inclusive, foi por anos o detentor do recorde mundial do título, tendo finalizado o quebra-cabeças em apenas cinco segundos – um feito que, por muito tempo, só pode ser batido por máquinas que jogavam automaticamente. O fundador da Microsoft chegou a desenvolver uma versão customizada do Windows para seu uso corporativo, sem Paciência e Campo Minado, pois os jogos estavam tomando tempo precioso em sua jornada de trabalho.

O mesmo valeu para outras empresas, como a Boeing e os Correios dos Estados Unidos. Em 2006, por exemplo, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, demitiu um de seus assessores quando o flagrou jogando Paciência em horário de trabalho e o mesmo aconteceu no sistema postal americano, com funcionários de logística deixando as encomendas de lado para brincar com as cartas virtuais.

Talvez essa seja a explicação para o sumiço de Paciência no pacote inicial do sistema operacional. Apesar de o software não estar mais presente como parte integrante do Windows, esse elemento competitivo permanece até hoje, tanto que, em 2015, no aniversário de 25 anos de Paciência, a Microsoft promoveu um torneio, com direito a transmissão via Twitch. Hoje, o título permanece vivo no sistema operacional como parte da Solitaire Collection, um pacote gratuito que pode ser baixado pela loja de aplicativos do Windows 10, e traz não apenas o jogo tradicional, como também as variantes Spider e FreeCell, entre outras.

Até hoje, também, continuam as discussões sobre procrastinação e a influência dos games nesse aspecto. A ideia é simples: será que Paciência foi o responsável pela enrolação no trabalho? Um funcionário, sem acesso ao game, encararia suas tarefas ou preferiria passar o tempo cutucando o nariz ou tomando café? Afinal de contas, basta um clique, caso as bombas estejam alinhadas da forma correta, para “zerar” Campo Minado, por exemplo. Mas uma caminhada até o filtro de água leva bem mais tempo que isso, principalmente se o trabalhador não estiver com muita pressa.

Fonte: The Washington Post

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