Realidade de Pokémon GO cria monstros de verdade, diz presidente da Venezuela

Por Redação | 27 de Julho de 2016 às 11h27

Com o sucesso de Pokémon GO, era óbvio que seria apenas uma questão de tempo para que os detratores do game começassem a aparecer. Assim como vimos no início dos anos 2000 quando os monstrinhos viraram uma mania mundial pela primeira vez, já teve desde gente dizendo que o game é uma perda de tempo até que Pikachu era um enviado do demônio. Porém, desta vez, vimos um presidente dizer que o jogo é um problema nacional.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, colocou na conta de Pokémon GO o aumento da violência em todo o mundo. Segundo ele, o aplicativo faz parte de uma cultura que promove valores errados entre jovens e crianças, como o culto às armas e à morte. Para o líder de Estado, o capitalismo é o principal responsável por criar realidades virtuais em que milhares de pessoas “passam a viver”. O mais curioso é que, apesar das duras palavras, Pokémon GO ainda não chegou à Venezuela.

Além disso, Maduro comentou que essa cultura de violência promovida por jogos assim estão relacionados aos ataques de ódio cada vez mais frequentes nos noticiários. Ele citou o exemplo do tiroteio ocorrido na semana passada na cidade alemã de Munique, quando um jovem de origem iraniana acabou matando nove pessoas em um shopping, além de deixar várias outras feriadas. “Um jovem de 18 anos, submetido a toda uma cultura de violência desde a infância, submetido à discriminação de uma sociedade. Isso produz um monstro”, disse o presidente venezuelano.

Nicolás Maduro

Presidente da Venezuela é conhecido por suas frequentes críticas ao capitalismo e aos Estados Unidos

Pokémon como pretexto

Agora vamos a uma rápida análise do discurso de Maduro. Primeiramente, suas críticas contra Pokémon GO são apenas mais um pretexto para criticar o capitalismo e, sobretudo, os Estados Unidos. Como dito, o game nem sequer chegou ao país, mas ele encontrou uma forma de usar o sucesso do jogo para cutucar os EUA — algo que o presidente faz com bastante frequência a cada oportunidade que possui. Em geral, esses ataques feitos às grandes nações são usados como forma de reforçar seu próprio poder, algo que não é bem visto nem pelos próprios venezuelanos.

Já as suas críticas ao fato de Pokémon GO ser um culto à violência nada mais é do que uma reciclagem do velo discurso sobre a influência de jogos sobre crianças e jovens. Não há nada de novo em sua fala além do fato que Pokémon GO não conta com armas, violência ou morte.

Por outro lado, a relação dessa “cultura da violência” que faz com que crianças sejam submetidas a situações de discriminação e ódio durante toda a sua vida não é algo tão ilógico assim e pode, sim, ter relação com o cenário que acompanhamos nos noticiários. No entanto, isso não tem qualquer relação com Pokémon GO ou jogos em geral, sendo algo muito mais relacionado a contextos culturais.

Via: Folha, G1

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