Conheça La Petite Mort, game em que se deve estimular o órgão sexual feminino

Por Redação | 07 de Junho de 2016 às 09h13
photo_camera Reprodução/The Guardian

O que você classificaria como uma "experiência erótica digital única"? São essas as palavras usadas pelo estúdio dinamarquês Lovable Hat Cult para descrever seu aplicativo controverso La Petite Mort. O app em si é um game cujo objetivo é simular a estimulação sexual feminina.

O projeto começou como uma tentativa de expandir a quantidade de jogos eróticos que, para o designer de La Petite Mort, Patrick Jarnfelt, era uma área inexplorada. As coisas começaram a andar quando um designer amigo de Jarnfelt contou a ele sobre um algoritmo chamado "cellular automata", que pode simular diferentes partes de um organismo respondendo a estímulos.

Dali para a vulva foi um pulo. "Pensamos, 'que tipo de coisas podemos fazer com isso'? e tipo, 'E se isso fosse baseado no toque?' e, de algum modo, esse erotismo apareceu. Então, se você interagir com esse sistema baseado em células, ele pode se tornar erótico porque cada célula é inteligente e responde ao seu toque", disse Jarnflet.

Em resumo, o game é um série de paisagens audiovisuais com cada fase exibindo uma foto de uma vagina real pixelada. Por meio do algoritmo, os diferentes pixels de cada vulva possuem preferências diversas, com sensações que variam e são ampliadas de acordo com o toque do usuário. "Então, se uma célula se sentir bem, ela meio que espalha o prazer para as células em volta", disse a produtora do game, Andrea Hasselager.

Ao jogar o La Petite Mort, o usuário pode estimular a vulva que aparece na tela tocando sobre determinadas áreas. Também é possível desenhar linhas de prazer ou círculos que se expandam, até que a tela inteira se preencha de cor.

É claro que o jogo tem limitações. Como a tela dos celulares/tablets utilizados para jogar o game não podem detectar o quão forte você pressiona o display, fazer a célula sentir prazer é questão de velocidade de movimentos e localização. Parte do erotismo do game vem da estranheza de tocar seu celular de maneira mais sensual, efeito desejado por Janfelt. Hasselager, por sua vez, diz que isso teve um efeito engraçado nos testes. "Você faz as pessoas jogarem o game e elas ficam envergonhadas quando você as olha por cima do ombro jogando, porque a jogatina se torna sensual, erótica", disse.

A criação do app, como era de se esperar, não foi fácil. Os desenvolvedores do jogo descobriram algo que gerações de mulheres antes deles já sabiam: mesmo com sinais visuais e sonoros óbvios, alguns jogadores não faziam ideia do que era para ser feito.

Esses "problemas de direção" levaram Jarnfelt a adicionar algumas respostas de texto no game. De vez em quando, um toque não prazeroso fará a vulva se mover, ou você ouvirá uma resposta firme negativa. "Tinha que ser um pouco óbvio para que as pessoas não deixassem o jogo de lado só porque elas não entendem como usá-lo", explica Jarnfelt.

Cada vulva tem preferências diferentes de onde e como gosta de ser tocada, então a chave para o sucesso é experimentar. Entretanto, o objetivo do criador do game nunca foi de que o game fosse educacional. "Tem mais a ver com escutar e sentir. É de alguma maneira educacional em um nível abstrato, mas não é tipo 'é assim que você faz'", disse ele.

Nada de estimulo virtual para o iPhone

Você tem um Android? Então prepare os dedos. Seu celular é um iPhone? Bem... não será dessa vez que você irá experimentar o La Petite Mort, já que a Apple considerou o jogo inapropriado para a App Store. Jarnfelt descobriu isso quando tentou fazer o upload do game na loja virtual e foi recusado.

A recusa da gigante de tecnologia pode refletir o momento da sociedade sobre o assunto. Embora a masturbação masculina seja um tópico mais "aceitável" na sociedade, o estímulo feminino ainda é visto como tabu, o que pode explicar a posição da empresa.

Veja abaixo um vídeo sobre o game:

Fonte: The Guardian

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