Arcade | Afinal, quem vai se atrair pelo serviço de jogos da Apple?

Por Wagner Wakka | 11 de Setembro de 2019 às 20h40
Divulgação/Apple
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Um dos destaques do evento da Apple realizado na terça-feira (10) foi o Arcade. O serviço vai permitir que usuários tenham acesso a uma biblioteca de mais de 100 jogos, inicialmente, pelo preço mensal de US$ 4,99, equivalente a mais ou menos R$ 20.

O que a empresa promete não é só a oferta de games exclusivos em seus aparelhos, mas também uma curadoria de bons títulos. Em vídeo de preview, a Apple revelou alguns bons nomes já de cara, como Little Orpheus da Chinese Room, mesmo grupo de Everybody’s Gone to the Rapture. Outros são Oceanhorn 2 (uma espécie de Zelda para smartphones) e jogos de renomadas desenvolvedoras como Anapurna, KONAMI e UsTwo (esta do sucesso Monument Valley).

Apesar das parcerias que a empresa está anunciando, ela ainda tem um longo caminho para convencer os jogadores a aderirem ao seu serviço. Assim, vale aqui uma pergunta: quais os principais obstáculos para o Arcade realmente vingar?

Concorrência 

A Apple entrou na brincadeira já com muita concorrência no mercado. Quem já está no universo de games sabe que há serviços por assinatura da maioria das plataformas. A Microsoft tem o Game Pass; a Ubisoft, o UPlay+; a EA, o EA Access; e a própria Google chega em novembro com o Stadia. Se você é dos consoles, também deve pagar serviços para jogar online, como a PlayStation Plus, no aparelho da Sony, ou o Nintendo Switch Online no da Big N.

O ponto é que já se paga muito para ter acesso a plataformas no universo de jogos, e a Apple entra depois que muita gente já cravou seus pezinhos neste mercado.

A vantagem da fabricante do iPhone é que ela está buscando um nicho específico: o de plataformas mobile. Assim como acontecem com serviços de streaming de vídeo, pesquisas mostram que a maioria do público não está disposto a pagar por mais de dois serviços ao mesmo tempo. Aí fica a pergunta: será que a Apple terá a força de desbancar concorrentes como PS Plus, Nintendo Switch Online, ou até mesmo o Game Pass da Microsoft?

Comportamento 

Outro ponto em desafio para a Apple é que o público de plataformas mobile está habituado a jogos gratuitos. Um levantamento do NewZoo aponta que o setor de games é o mais rentável, mas não pela venda dos títulos, e sim por conta de microtransações.

Neste caminho, ao cobrar por uma assinatura, a Apple retira esse modelo de negócio, já que o jogador não deve pagar por um game e ainda investir ainda mais em itens dentro dele.

A Nintendo já apostou em um modelo de cobrança do tipo, quando lançou Super Mario Run. A história nos mostra que, mesmo se tratando do maior ícone da história dos games, o jogo não rendeu como a desenvolvedora esperava. O principal problema foi exatamente o modelo de venda, com cobrança fixa. Isso fez com que a Nintendo optasse por um sistema free-to-play para seus demais lançamentos mobile.

Base instalada

A Apple quer usar o Arcade para promover sua linha de produtos, tanto que apresentou o serviço com o novo iPad. Com isso, a plataforma só vai funcionar em iPhones, iPads, Macs e Apple TV.

Só isso já reduz e muito a base instalada de possíveis assinantes do serviço. Segundo levantamento do Statista do final do ano passado, o iOS está presente em cerca de 11% dos aparelhos mobile do mundo, apenas. Ou seja, em se tratando de uma plataforma para o público de smartphones e tablets, a empresa ainda não tem o espaço de maior concorrência.

Isso é um problema principalmente quando se pretende convencer desenvolvedoras a colocarem títulos de peso e com exclusividade no serviço, ainda por cima. Veja bem, uma empresa como a Konami vai gastar sua melhor ficha para colocar um game seu em um serviço de assinaturas com potencial para menos de um sexto da base instalada de jogos mundiais? É bem provável que não, a não ser que haja muito investimento da Apple em cima disso.

Público

Diante de tudo isso, para quem então o Apple Arcade pode ser interessante? O jornalista Nick Summers, do Engadget, tem uma ideia boa: o principal público-alvo podem ser os pais de crianças pequenas.

Muito disso se deve porque até seis contas podem usar o serviço com apenas uma assinatura, pelo programa de compartilhamento familiar. Ou seja, se já há mais de um aparelho Apple dentro da casa, dentre Mac, Apple TV, iPhone e iPad, não é preciso fazer mais uma assinatura para que as crianças possam jogar.

Assim, o sistema pode ser interessante, até por conta da curadoria e certeza de que os pequenos estão tendo acesso a jogos de qualidade. E a própria Apple falou que a ideia do Arcade é fornecer games para toda a família, então faz sentido essa linha de pensamento.

Mas, ainda assim, por enquanto há uma incógnita quanto ao futuro de um serviço como o Apple Arcade em meio a plataformas rivais já muito bem firmadas no mercado. Resta esperar pelo lançamento oficial e acompanhar os desdobramentos dessa história.

Fonte: Engadget

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