Bloqueadores de anúncios são sucesso entre usuários do iOS 9

Por Redação | 18 de Setembro de 2015 às 11h30

Apesar de não ter sido uma novidade tão comentada quanto o multitasking, a chegada dos bloqueadores de anúncios ao iOS parece estar sendo a função preferida dos usuários de iPhone e iPad. Pelo menos é isso que faz parecer o atual surto de interesse por apps desse tipo na App Store, com muitos deles chegando a ficar entre o top 10 de categorias como “Utilitários” ou “Apps pagos”.

E, ao contrário do que se esperava, não são os grandes nomes que aparecem com destaque aqui. No momento em que essa reportagem é escrita, por exemplo, o software pago mais baixado da loja online é o Peace, um bloqueador de propagandas que diz ter a maior “lista negra” de todos, garantindo aos usuários um bloqueio efetivo de propagandas. O pagamento, também, entra nesse esquema, já que a ideia é que os partidários da causa comprem o aplicativo para que ele não precise criar white lists de forma a manter o próprio funcionamento e receitas.

Outro grande nome, o Crystal, também aparece entre os dez mais, mas é o único realmente grande na lista. Outros bloqueadores que dão as caras na relação são o Purify Blocker e o Blockr, enquanto opções que, aparentemente, fariam sucesso não são vistas em lugar nenhum. É o caso, por exemplo, do navegador Adblock Plus, que como o nome já diz, traz a experiência de um dos softwares do tipo mais famosos no PC também para o mobile, mas de uma forma diferente. Em vez de funcionar como um app, trata-se de um browser completo e uma ideia que parece não ter colado muito bem entre os usuários.

Esse nem mesmo é o funcionamento padrão para softwares desse tipo. Como explicado pela Apple, os bloqueadores de anúncios funcionarão a partir do menu de configurações do iOS – ao usuário, basta baixar, abrir o aplicativo, realizar as ações necessárias nele e, na sequência, ativá-lo para que ele comece a trabalhar. Parece uma tarefa longa, mas para quem deseja navegar sem ser incomodado é um esforço mais do que suficiente.

Derrubar as receitas de publicidade não é o principal foco, pelo menos de acordo com a Apple. A ideia, diz a empresa, é permitir que os usuários tenham um controle ainda maior sobre seus planos de internet móvel e não percam tempo – e banda – com propagandas intrusivas ou carregamento de anúncios. Para quem tem limites de uso, a novidade vem como um benefício.

Por outro lado, não é dessa forma que a iniciativa é vista por produtores de conteúdo. Sites e canais do YouTube vêm se posicionando de forma cada vez mais ativa contra o uso de bloqueadores de propaganda, muitas vezes apontando os dedos para os próprios usuários e alegando que eles não querem apoiar o trabalho realizado. E no meio de toda essa guerra está o Google, que opera uma das principais soluções de publicidade web do mundo e, claro, é um dos grandes rivais da empresa de Cupertino.

O Facebook também estaria pouco ligando. Em celulares e tablets, a empresa tem a esmagadora maioria de seus acessos oriundos de seus aplicativos próprios, ou seja, imunes aos bloqueadores de anúncios. A chegada de aplicações desse tipo, então, quase não importa e as receitas devem continuar a fluir no rumo da rede social.

A chegada do Apple News foi vista como mais uma cereja desse bolo. Anunciado como um serviço de curadoria e leitura para os usuários de dispositivos da Maçã, o sistema também contará com suporte a anúncios – esses, operando sem o bloqueio imposto por apps e com toda a renda revertida à própria companhia. Assim, para muitos, parece se configurar uma maneira mesquinha e pouco transparente de se entrar nesse segmento.

No final das contas, especialistas afirmam que quem mais vai sofrer é a mídia independente. Blogueiros, jornalistas e pequenos produtores de conteúdo, que mais do que ninguém dependem de publicidade para sobreviverem, verão seus montantes já pequenos caindo ainda mais por iniciativas desse tipo e, aparentemente, os grandes continuam fazendo nada para modificar esse cenário.

Fontes: TechCrunch, Business Insider

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