Zona rural concentra maior parte das escolas públicas sem acesso à internet

Por Redação | 08 de Dezembro de 2015 às 09h44

Divulgado nesta segunda-feira (07), um levantamento realizado pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) mostrou que a maioria das escolas públicas brasileiras tem acesso à internet, porém essa parcela está concentrada nas zonas urbanas. Ao todo, 32.434 escolas públicas não contam com qualquer tipo de conexão com a rede mundial de computadores e apenas 13% das localizadas em zonas rurais possuem algum tipo de acesso à internet.

O estudo concluiu também que mais de 9 mil instituições de ensino básico da rede pública nacional estão localizadas em cidades sem internet ou com a rede mais lenta do que deveria ser - ou seja, cerca de 4,5 milhões de alunos estão em desvantagem com relação aos demais. “Há uma grave violação do princípio da universidade, aprofundando as disparidades hoje existentes. Ao expandir o acesso à informação e permitir que professores e alunos acionem diferentes fontes e aprofundem seus repertórios, democratiza-se o acesso à informação e a materiais pedagógicos de qualidade, em especial para escolas com menos recursos”, disse Ronaldo Lemos, diretor do ITS.

Essa disparidade deve-se bastante ao fato de que as escolas urbanas são atendidas pelo Programa Banda Larga nas Escolas (PBLE), iniciativa do Governo Federal com empresas de telecomunicações para ampliar a conexão das escolas públicas. A lei prevê que seja fornecido um link de pelo menos 2 Mbps por escola, porém essa meta não é alterada desde 2010, estando aquém da realidade de outros países que já contam com conexões de 50 ou 100 megabits para as instituições públicas de ensino.

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Já para as escolas rurais, um edital aprovado em 2012 prevê a oferta de conexão 4G para qualquer instituição que atenda mais de 185 alunos. De um total de 65.738 escolas rurais, 3,9% estão em localidades bastante remotas e recebem conexão via satélite de 1 Mbps, segundo o instituto. No entanto, esse número ainda está muito abaixo do critério do edital.

Em sua defesa, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) disse à Agência Brasil que tem acompanhado a implantação de internet banda larga nas escolas junto às operadoras de telefonia e ao Ministério da Educação (MEC), e diz ainda que, constatados possíveis descumprimentos, poderá ser instaurado um Procedimento para Apuração de Descumprimento de Obrigações (Pado). Já segundo Aloizio Mercadante, ministro da Educação, “a lei se cumpre e onde não está sendo cumprida, vamos pedir à assessoria da Anatel para garantir o cumprimento”. “A educação precisa de banda larga, precisa de acesso à internet e precisa de tecnologia da informação”, completa.

Fonte: Agência Brasil

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