YouTube estaria perdendo anunciantes após polêmica com criadores

Por Redação | 27 de Março de 2017 às 10h51
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Grandes anunciantes estariam deixando de investir pesado no YouTube após uma série de polêmicas envolvendo alguns de seus principais criadores de conteúdo, de acordo com uma reportagem publicada pelo jornal americano Wall Street Journal. Nomes como PepsiCo, Walmart, McDonald's, GM e Starbucks estariam entre aqueles que reduziram sua verba na plataforma ou deixaram completamente de anunciar nela.

Os motivos por trás disso iriam além das declarações feitas por nomes como JonTron e PewDiePie. De acordo com as fontes ouvidas pelo jornal, a presença de grandes anunciantes e concorrentes de algumas das marcas, como Amazon, Coca-Cola e Microsoft, que mantiveram os anúncios como estão, também seria um motivo para a retirada. A ideia é remover qualquer tipo de associação entre os discursos feitos pelos criadores e os nomes das empresas.

O Financial Times foi além e afirmou que diferentes ações teriam sido tomadas pelos anunciantes, sem especificar as atitudes de cada um deles. Enquanto alguns teriam saído completamente de todas as plataformas da companhia, outros deixaram de veicular suas propagandas apenas no YouTube, mantendo a verba de outros serviços do Google. Existem ainda aqueles que deixaram de confiar nos algoritmos automatizados da companhia, preferindo criar eles mesmos suas métricas de alcance - deixando deliberadamente de lado os criadores envolvidos em problemas.

O Google também estaria tomando atitudes e entrando em contato com alguns de seus maiores anunciantes de forma a deixá-los seguros. A ideia é deixar de lado a noção de que a empresa não se importa com a veiculação de racismo e misoginia, entre outros, e estaria sim realizando esforços para impedir que a plataforma seja um vetor para discursos destas categorias.

Não é como se o YouTube, antes dos acontecimentos recentes, fosse livre desse tipo de coisa, uma vez que uma moderação ativa é praticamente impossível levando em conta a quantidade de conteúdo publicado. Nas últimas semanas, entretanto, foi a primeira vez que grandes estrelas da plataforma se viram no centro desse tipo de polêmica, primeiro com PewDiePie sendo acusado de ventilar antissemitismo, e depois, com JonTron, que demonstrou posturas racistas e fez comentários contra imigrantes.

A Associação Nacional de Anunciantes dos Estados Unidos pediu ao Google que tome atitudes urgentes não apenas para conter a onda de ódio, mas também para salvaguardar a reputação e imagens dos anunciantes, que acabam associados a discursos desse tipo. A organização taxou a situação como uma “crise”, citando a proliferação de vídeos que defendem ou atacam os criadores e também seus pontos políticos, aumentando ainda mais o escopo da discussão, mas, ao mesmo tempo, também ventilando muitos dos ideais extremistas exibidos por eles.

Fontes: The Wall Street Journal, The Financial Times

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