YouTube está trabalhando em métricas que consideram qualidade do conteúdo

Por Felipe Demartini | 30 de Abril de 2019 às 10h03
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Duas novas métricas estariam sendo utilizadas internamente pelo YouTube como uma tentativa de privilegiar conteúdos de qualidade e que gerem discussões. As mudanças, reveladas pela Bloomberg, estariam em vigor há dois anos, mesmo não tendo sido divulgadas oficialmente, e levariam em conta o tempo que o usuário passa na plataforma, os comentários publicados por ele e quais vídeos estão fomentando discussões ou conversas.

No que a empresa estaria chamando de “tempo de visualização de qualidade”, a nova métrica também seria voltada para privilegiar conteúdos profundos e com qualidade sobre as imagens virais. Seria, também, uma forma de o YouTube rebater críticas e uma prova de sua preocupação com o potencial viciante da plataforma, com as pessoas sendo levadas de um clipe a outro em um ciclo sem fim. Já que é assim, que o conteúdo assistido, pelo menos, acrescente algo.

O algoritmo de sugestão de vídeos e exibição de publicidade também estaria dependendo bastante destas novas métricas desde 2016, quando elas foram aplicadas. Quando um conteúdo de qualidade é identificado, ele também fica marcado como uma boa oportunidade para as propagandas, mas fontes internas ouvidas pela reportagem indicam que o novo método estaria privilegiando vídeos ácidos ou ofensivos, justamente devido ao foco na discussão, tempo gasto e publicação de comentários.

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Seria o caso, por exemplo, de criadores com grande número de fãs, que comentam em vídeos e dão o famoso “joinha” antes mesmo de assistirem a um conteúdo, apoiando seu youtuber favorito independentemente do que ele faça. Outro caso de geração de discussão aparece em vídeos nacionalistas ou que tratem de maneira agressiva de temas polêmicos. O algoritmo é capaz de entender que há algo quente acontecendo ali, mas não necessariamente compreende o teor da conversa.

Além disso, há de se levar em conta distorções numéricas como ataques focados em dar avaliações negativas a vídeos, os famosos dislikes. O próprio YouTube sofreu com isso no final do ano passado, quando divulgou sua edição 2018 do famoso Rewind, sua retrospectiva dos melhores do ano. Foi uma forma de os usuários mostrarem sua insatisfação com o apoio (ou a falta dele) dado pela plataforma aos criadores, não necessariamente refletindo se eles gostaram ou não do clipe em si.

Seja como for, a localização de conteúdos de qualidade estaria sendo feita em uma combinação de funcionários do YouTube e o próprio algoritmo, que também adotaria práticas já aplicadas na ferramenta de busca da Google. Em janeiro, a empresa confirmou a contratação de “revisores” para amplificar suas políticas de combate a fake news e conteúdo desinformativo, mas não explicou exatamente como essa associação entre homem e máquina funciona.

O Youtube, entretanto, não deu detalhes adicionais sobre as mudanças nas métricas nem de que forma a revisão humana funciona ou o número de funcionários envolvidos nesse trabalho. Os detalhes sobre algoritmos e sistemas de sugestão também são mantidos em segredo pela empresa.

Fonte: Bloomberg

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