YouTube é acusado de exibir propagandas para crianças em versão infantil do site

Por Redação | 07.04.2015 às 11:27

Com apenas seis semanas de existência, o YouTube Kids já vem sendo acusado por grupos de defesa dos direitos das crianças e do consumidor como ser tudo aquilo que diz. De acordo com uma reclamação enviada por organizações norte-americanas à Federal Trade Comission, o sistema é, na verdade, um ambiente “altamente comercializável” para o Google, passando longe das promessas iniciais de entregar uma plataforma segura e educativa para os pequenos.

Como o aplicativo não exibe anúncios nem coleta informações de uso – uma vez que essa prática é proibida com menores de 14 anos nos EUA –, o segredo comercial aqui estaria na curadoria de conteúdo. A ideia é que o Google estaria lucrando com a indicação de shows que fazem uma propaganda não tão descarada assim de produtos, além de apresentar desenhos e documentários ligados diretamente a marcas de brinquedos e alimentos, por exemplo.

De acordo com os relatos das organizações envolvidas, o objetivo do app é ultrapassar a barreira entre publicidade e programação comum, usando métodos que não apenas são proibidos quando se fala na fatia de público atingida, como também constituem quebras nas leis de concorrência. É por essas duas razões que o grupo pede que a Federação de Comércio dos EUA analise a atuação do Google com o YouTube Kids e, se necessário, tome as atitudes necessárias para resolver os problemas.

Assinam a reclamação associações como o Centro de Democracia Digital, focado na proteção da privacidade; a Academia Americana de Psiquiatria Infantil e a ONG “Campaign for a Commercial-Free Childhood”; além de universidades americanas como a do estado do Arizona. Esta última, inclusive, afirma por meio da especialista Dale Kunkel que o YouTube Kids é o espaço mais monetizado já apresentado às crianças a dar as caras na internet.

Como já comentamos, existem sim regras quanto à veiculação de propagandas para crianças nos Estados Unidos, mas muitas delas ainda não se aplicam ao mercado digital simplesmente porque os órgãos federais competentes ainda não puderam analisar o segmento com calma. Por isso mesmo, conclui o documento, o Google estaria aplicando práticas ilegais da televisão, por exemplo, em seu aplicativo para os pequenos, aproveitando a oportunidade para lucrar em vez de pavimentar o caminho para uma melhor regulamentação desse setor.

Em resposta, o Google defendeu seu serviço, afirmando possuir uma série de opções para controle parental e que, em hipótese alguma, coleta informações dos usuários do YouTube Kids. Além disso, alegou ter consultado diversos grupos de defesa à privacidade e dos direitos das crianças e adolescentes na hora de criar o app para garantir que problemas como os apontados pelos reclamantes não acontecessem na nova plataforma. Mais do que isso, disse ainda que quer aproveitar as alegações para melhorar ainda mais a qualidade e segurança de sua solução.

Fonte: PC World