Wi-Fi por satélite deve se tornar o novo padrão para voos nos EUA e na Europa

Por Redação | 13.04.2016 às 22:05

A ubiquidade da internet nos dias atuais não é apenas um status – é uma necessidade premente na maior parte das pessoas. Dessa forma, mesmo em um longo voo, é natural que alguém queira gastar algum tempo conversando com familiares ou visualizando amenidades em um smartphone ou laptop, a fim de aproveitar melhor o tempo da viagem. O problema? A infraestrutura para internet em aviões ainda não alcança as expectativas mínimas dos usuários – mesmo entre as maiores companhias aéreas.

De acordo com relatório emitido este ano pela Routehappy, avaliadora de voos e amenidades relacionadas, embora exista Wi-Fi disponível em mais de um terço dos voos comerciais pelo mundo, apenas 6% deles oferecem qualidade de conexão semelhante à uma (boa) conexão domiciliar – digamos, uma que permita assistir a vídeos via streaming.

Mas já há uma solução em andamento. Entre os provedores de internet para voos comerciais, o que há atualmente é uma pressão inescapável para a adoção conexões via satélite – aposentando, dessa forma, o padrão atual deficiente, o qual necessita de comunicação constante com a superfície, chamado “terra-ar”.

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De fato, empresas como a Inmarsat PLC, a Gogo Inc, a Global Eagle Entertainment, a Viasat Inc e a Panasonic têm corrido contra o relógio para otimizar seus pacotes via satélite – isso enquanto se agarram com unhas e dentes a contratos com as principais companhias americanas e europeias.

Vantagens das conexões via satélite

Mas não é apenas na cobertura deficiente que a tecnologia ATG (ar para solo, na sigla em inglês) tem dado sinais de obsolescência. Em espaços aéreos como os da Europa, por exemplo, um sem número de regulamentações distintas acaba por forçar a manutenção de redes de dados para espaçonaves por entre uma verdadeira colcha de retalhos – de forma que, também nesse quesito, a utilização de satélites parece ser a evolução natural.

“As soluções existentes não deram conta das expectativas de mercado”, apontou o presidente da Inmarsat Aviation, Leo Mondale, durante recente edição da feira Aircraft Interiors Expo, realizada em Hamburgo, conforme veiculado pela Reuters. “Apesar de todo o discurso entusiasmado, o estado das coisas é um monte de retalhos inconsistentes.”

Além disso, a nova tecnologia também evitaria o inconveniente óbvio da necessidade constante de um provedor disponível em solo. Afinal, satélites cobrem facilmente todo o globo, ignorando se há terra ou água sob uma espaçonave – que, em teoria, terá internet constante e sem quedas significativas de velocidade.

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Por fim, os principais provedores de internet via satélite para aviões ainda são capazes de deslocar conexões extras para porções do globo particularmente apinhadas – bastando que se identifiquem os pontos em que há maior fluxo de aeronaves comerciais.

Desafio mercadológico

Entretanto, há aqui um problema mais velho do que andar para trás: a internet por satélite é ainda demasiadamente dispendiosa, sobretudo para voos de curta duração – em que os custos ainda não justificariam o abandono da tecnologia terra-ar.

Naturalmente, alternativas têm sido buscadas pelos principais provedores da área. A Inmarsat, por exemplo, faz atualmente valer a sua longa experiência com a internet para utilizações marítimas. O resultado foi a rede Global Express, específica para a aviação, atualmente em fase de testes e já com três satélites em serviço.

Esforço semelhante tem sido desempenhado também pelas concorrentes Panasonic, Viasat e Gogo – esta agarrando-se como pode ao contrato de prestação de serviços com a American Airlines.

Questões de comodidade e segurança

Mas uma boa conexão de bordo também seria vantajosa para algo além da visualização de peripécias de animais domésticos no YouTube. De fato, a internet mais segura oferecida via satélite também poderia ser utilizada para questões de segurança, dentro da cabine de comando.

Conforme explicou o vice-presidente de marketing e gerenciamento de produtos da Honeywell Aerospace, Carl Esposito, à Reuters, a conexão rápida poderia ajudar a otimizar rotas de voo, servindo ainda para identificar padrões atmosféricos e para reportar questões de manutenção do avião. Ainda no que se refere a serviços dentro da aeronave, semelhante conexão também permitir a atualizações dos conteúdos oferecidos aos passageiros a título de entretenimento – gerando mais receita por meio de entretenimento, serviços e propagandas.

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Seja como for, os próximos anos devem ser determinantes para a propagação da nova tecnologia, atualmente disputada via contratos como em um cabo de guerra. “Eu acredito que os próximos 24 meses serão realmente loucos”, disse o presidente de serviços globais de comunicação da Panasonic Avionics, David Bruner, à referida agência. E que venham os animais endiabrados do YouTube.