VPN do Facebook coleta dados mesmo quando não está sendo utilizada

Por Felipe Demartini | 06 de Março de 2018 às 13h20
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O lançamento da VPN proprietária do Facebook, de uma alternativa segura para acesso à liberdade na internet, como propõe a empresa, está cada vez mais se tornando uma pedra no sapato. Agora, novas informações sobre o sistema, que está disponível apenas para iOS, mostram que ele é capaz de rastrear informações sobre o usuário mesmo quando não está sendo utilizado.

De acordo com o especialista em segurança da informação Will Strafach, o Onavo Protect, como é chamado, é capaz de detectar quando a tela do dispositivo está bloqueada ou não, além de acompanhar o consumo diário de internet por meio da rede móvel ou conexão Wi-Fi. O sistema também utiliza beacons que servem para indicar o tempo médio de uso da VPN em relação aos períodos que o usuário passa com ela desligada.

O especialista também descobriu que outros dados são enviados aos servidores do Facebook antes mesmo de uma conexão à rede privada virtual, quer ela seja bem-sucedida ou não. Fazem parte destes pacotes informações como a operadora de telefonia utilizada, o país em que está sendo realizado o acesso e a linguagem configurada no aparelho, bem como a versão do iOS em execução.

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Tais métricas são acumuladas no sistema em arquivos de log e são encaminhadas aos servidores do Facebook assim que uma conexão à VPN é estabelecida. Após isso, mesmo que esteja desativada, as informações continuam sendo enviadas periodicamente à rede social, sem que o usuário saiba exatamente o que está acontecendo.

Essas questões não são citadas nos termos de uso do Onavo Protect, que logo após seu lançamento, em fevereiro, já havia citado uma série de violações à privacidade de seus usuários. Na mesma medida em que é capaz de mascarar conexões, o sistema também pode coletar dados de tráfego mobile e registrar os sites e serviços acessados, tudo em prol da “melhora dos produtos e serviços”.

A grande polêmica, porém, se relaciona à segunda parte dessa frase, que além do aprimoramento da VPN, também cita “análises de mercado e serviços para afiliados e terceiros”. Seriam, basicamente, perfis de comportamento e utilização online para exibição de anúncios, em um tipo de rastreamento que não exatamente combina com os propósitos de uma rede privada virtual e tampouco com as afirmações de segurança e privacidade ventiladas pelo próprio Facebook.

Não é a primeira vez que um fornecedor de serviço desse tipo é flagrado realizando análises e coletas de dados dessa categoria – o que não torna o problema menos pior. O alcance do Facebook em termos de usuários e a presença de um botão “proteger” no aplicativo da rede social do iOS, método usado para lançamento do sistema, entretanto, aumentam a pressão sobre a companhia, que é presença carimbada em denúncias sobre invasão de privacidade.

Fonte: Will Strafach (Medium)

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