Viv: assistente mais poderosa que a Siri será a solução dos problemas na net?

Por Raphael Andrade | 01 de Setembro de 2016 às 12h50

Quer encontrar arquivos no seu Windows 10? Peça ajuda à Cortana. Comparar preços entre produtos na internet? A Alexa está às ordens. Ligar para um contato urgentemente? A Siri pode te ajudar. De uns anos para cá, as assistentes virtuais ganharam espaço e têm ampliado sua presença de maneira consistente e irrefreável, isso porque elas podem facilitar, e muito, o uso de computadores e sistemas operacionais em geral.

Hoje em dia, temos três assistentes em destaque: Cortana, que habita os sistemas do Windows, incluindo o Windows Phone e Xbox, Siri, da Apple, e a Alexa, da Amazon. Embora as três funcionem de forma muito parecida - você dá um comando para ela, e a assistente responde da maneira mais adequada de acordo com experiências anteriores e conhecimentos adquiridos na rede - cada uma trabalha melhor com base no sistema operacional em que foi criada. A Cortana é ótima para integrar as funções de um computador com consoles, enquanto a Alexa e a Siri têm maior expertise em navegação por marketplace e dispositivos móveis, respectivamente. Agora, imagine uma assistente poderosa que transcendesse barreiras e sistemas operacionais, conectando diversos tipos de dispositivos, automatizando e facilitando a vida do usuário nos mais diversos aspectos. Mais do que um sonho, tal assistente já está sendo desenvolvida.

Batizada de Viv, a assistente é fruto das mentes de Dag Kittlaus e Adam Cheyer, criadores da inteligência artificial na qual Siri, da Apple, opera. Graças a tecnologia desenvolvida por eles, muitos aplicativos hoje são capazes de responder questões de maneira natural em uma interface fácil de utilizar. A nova assistente foi revelada para o público em maio, com a promessa de ser a assistente de inteligência artificial da próxima geração.

Siri iPhone

Imagine que você saiu para jantar com um colega, e na hora de pagar a conta esqueceu o cartão em casa e seu amigo decide pagar por você. Para retribuir a cortesia, você pede pra Viv enviar R$ 15 para seu amigo e, voilá, a quantia é enviada. Não é mágica, nem nada do tipo: toda a tecnologia que você precisa, de reconhecimento de voz, processamento de demandas, transferência de dinheiro, entre outros, já está disponível no seu smartphone. O que a Viv faz é integrar os vários aplicativos do seu celular e fazê-los funcionar em conjunto por meio de um programa criado pela própria assistente em tempo real. Esse programa poderá ser reutilizado toda vez que você tiver uma demanda similar.

Ferramenta poderosa

Desenvolvida nos últimos quatro anos na surdina, a proposta da Viv, como dito acima, é se conectar com múltiplos serviços, e não apenas buscar respostas na internet como a Siri faz. O lançamento da assistente ocorreu no Disrupt NYC, evento do portal norte-americano TechCrunch. Lá, Kittlaus mostrou a primeira demo pública da Viv.

A assistente foi capaz de executar diversas tarefas bem complexas, não só em termos de compreensão, mas também na integração de serviços e aplicações de terceiros, como compra de mercadorias e reservas em hotéis e restaurantes.

Inteligência que se torna utilidade

Viv

O lema da Viv, "inteligência que se torna utilidade", resume bem o que ela quer ser, uma assistente que pode melhorar a interação entre diversas aplicações de um mesmo dispositivo. O que difere a Viv das atuais assistentes é seu tipo de inteligência artificial. Siri, Cortana e Alexa são inteligências artificiais amplas, capazes de lidar com uma variedade grande de tarefas, enquanto outros sistemas operacionais são focados em apenas uma coisa. Embora sistemas assim executem muito bem uma tarefa, eles não conseguem fazer nenhuma outra coisa. O Viv foi feito para ser "agnóstico": pensar em ações para uma plataforma, abrí-la para todos os serviços e dispositivos, mas trabalhar de maneira personalizada. "O objetivo do Viv é entender as suas preferências e histórico ao passo que você interagir com o sistema", disse Adam Koopersmith, um dos investidores do Viv, na conferência de lançamento. "Nossa sensação é que haverá um movimento em que deixará de lado as centenas de aplicativos que atuam independentemente. Esses serviços serão integrados no dia a dia e o Vivi será a plataforma que permitirá que isso aconteça", conclui ele.

Páreo duro

É claro que o Viv não reinará sozinho, a competição existe. A própria Microsoft está trabalhando em bots para suas aplicações, enquanto o Facebook já está disponibilizando APIs para encorajar desenvolvedores a criarem bots para o Messenger, que deve se tornar um centro de transações e aplicações em um futuro não tão longínquo.

Felizmente para o Viv, a assistente parece estar bem avançada e com alguma vantagem frente os concorrente. Responder perguntas como "Choveu na região da avenida Paulista três quarta-feiras atrás?" ou "Estará mais quente do que 25 graus próximo do Pelourinho às 17h da próxima terça?", enquanto poderia representar uma tarefa difícil para as assistentes atuais, as questões acabam sendo uma moleza para a Viv. Essa facilidade é atribuída à fluidez da inteligência artificial, que se adapta conforme as necessidades do usuário. "Ao invés de ter que escrever cada código de instrução, você estará apenas descrevendo o que você quer que ela faça. A ideia da Viv é de que os desenvolvedores possam ir e construir qualquer tipo de experiência que eles quiserem", disse Kittlaus no evento de lançamento.

Vai dar certo?

A pergunta que não cala é: a Viv realmente fará tudo o que promete, ou será apenas uma utopia dos criadores? É importante ter em mente que o que a Viv propõe não é apenas ser mais uma assistente virtual, e sim mudar completamente o modo com o qual os usuários interagem com a internet. Para ser bem-sucedido, a Viv teria que acabar com a hegemonia das cinco maiores empresas da internet: Google, Amazon, Facebook, Microsoft e Apple, que lideram nas áreas de busca, comércio, redes sociais, empresarial e mobile, respectivamente.

Mesmo que essa tarefa seja extremamente difícil, existe esperança. O Viv, mesmo que apenas em conceito no momento, representa uma mudança imensa nas relações online, assim como uma evolução. Se der certo, o assistente será capaz de conectar o melhor da internet aberta com o melhor dos aplicativos mobile, criando um mundo onde todos os aplicativos podem conversar uns com os outros, de maneira rápida, prática e inteligente, facilitando o dia a dia de todos.

Para ser bem-sucedida, o Viv também precisa se tornar parte integrante de diversos dispositivos, visto que a assistente depende de integrações para viver. Contar com a assistente em telefones Samsung, Apple, Sony, entre outros é vital para o sucesso da empreitada.

Jovem usando smartphone

Outro ponto interessante é que agora Kittlaus talvez possa fazer o que pretendia quando criou a Siri. No início, a Siri atendia a 45 diferentes serviços, até que foi comprada pela Apple por US$ 200 milhões e se tornou a assistente exclusiva do sistema operacional iOS.

Se dará certo ou não é uma incógnita, mas o fato é que a Viv parece estar trilhando o caminho correto. No ano passado, a empresa conseguiu um investimento de US$ 12.5 milhões da Iconiq Capital, empresa que tem parceiros como Mark Zuckerberg, do Facebook, Jack Dorsey, do Twitter, Reid Hoffman, do LinkedIn, Dustin Moskovitz, Sheryl Sandberg, entre outros.

De maneira sucinta, a assistente seria o mais próximo que chegaremos, pelo menos no momento atual, do que Vicki, a inteligência virtual do filme Eu, Robô (2004), era: uma assistente virtual inserida em todos os aspectos diários de uma sociedade. Ao contrário da personagem, esperamos que Viv não se transforme em uma vilã.

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