Vamos falar sobre fake news no mundo corporativo?

Por Colaborador externo | 14 de Março de 2018 às 07h33
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*Por João Fortunato

Fake news tornou-se uma preocupação mundial, não apenas de especialistas em comunicação, mas também e principalmente de governos. Por isso, o tema é hoje pauta e manchete de grandes veículos de comunicação em todo o mundo. Por ora, o alvo principal das notícias inventadas ou das mentiras divulgadas em forma de notícias é o universo político. Nos EUA, por exemplo, ainda se discute o grau de interferência das fakes news no resultado da última eleição presidencial. No Brasil, que este ano realiza suas eleições majoritárias, autoridades já não escondem a preocupação com esta ingerência indevida e discutem alternativas para mitiga-la. 

Este “novo” problema, que é gravíssimo, pode não demorar em invadir o universo corporativo. Estas falsas notícias, não raro, são elaboradas em alhures e seus autores, não raro também, são robôs! Como lidar com esta situação se, como se sabe, sites igualmente fakes são construídos apenas para conferir “veracidade” à notícia falsa divulgada? O esquema, se assim pode ser denominado, é profissional. Não se trata, resta claro, de uma brincadeira de jovens nerds fissurados em internet! Este é o grande desafio que agora se impõe aos gestores de crise corporativa ou de crise de imagem, como preferem alguns. E esta tarefa não será nada fácil!

As fake news, por meio dos compartilhamentos, ganham corpo de forma rápida e sem controle. E para agravar, acompanhadas de comentários de leitores que acreditam de boa-fé que aquilo que estão comentando e compartilhando é verdadeiro. Em síntese, é a “notícia falsa” ganhando moldes de “notícia verdadeira” em função da repercussão e dos endossos que carrega em sua trajetória pelas diferentes redes sociais. Trata-se de uma “bomba” cujos efeitos, o mundo corporativo ainda desconhece. Por esta razão, urge que atente para o tema.  

Muito já se faz, é verdade, mas muito mais precisa ser feito. A tradicional varredura diária pelos veículos e redes sociais na Internet, por exemplo, tem que ser mais extensa e profunda; a análise da coleta de dados mais detalhada e consistente; a reação rápida, plena e abrangente; e a resposta comunicacional a este “ataque” deve juntar as ferramentas tradicionais, já conhecidas e dominadas, com as modernas recém “chegadas”. Gerenciar este tipo de crise não é, como se percebe, para amadores!

Será que é possível imaginar o prejuízo de imagem e financeiro que provocaria às empresas se lançadas hoje como “notícias” e propagadas como “verdades”, aquelas histórias do hambúrguer de carne de minhoca e a outra, do homem que caiu no tanque de refrigerante, que habitaram o imaginário de muitos consumidores de uma geração? As dificuldades seriam enormes, não resta dúvida!

Faz-se necessário às empresas ficarem atentas e prontas para responder a qualquer ataque deste “novo” inimigo chamado fake news. Que pode atacar a qualquer momento, estimulado, quem sabe, por um competidor menos eficiente e claro, desonesto. E sem “sujar” as mãos, pois a origem e o autor do “crime”, como deixa clara a investigação nas eleições americanas pela CIA e FBI, são difíceis de serem identificados.

*João Fortunato é jornalista e consultor especialista em gestão de crise corporativa

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