Uber demite executivo que obteve registros médicos de vítima de estupro

Por Redação | 08 de Junho de 2017 às 12h05

A Uber revelou, nesta semana, ter demitido Eric Alexander, seu presidente para negócios na região Ásia-Pacífico, devido à obtenção irregular de dados médicos de uma vítima de estupro na Índia. O caso, que aconteceu em 2014, foi um dos primeiros incidentes de abuso amplamente divulgados pela empresa e levou ao banimento temporário da companhia no país.

Alexander era um dos principais nomes da empresa na região, mas foi dispensado como parte de um movimento de combate ao abuso, discriminação e comportamento impróprio em sua estrutura interna. Desde o começo da semana, a Uber já mandou 20 pessoas embora, mas o executivo não fez parte desse total inicial.

O estupro aconteceu em dezembro de 2014 e, pouco depois, Alexander teria obtido os dados médicos da vítima, uma informação que deveria ser confidencial. De acordo com as informações extra-oficiais, ele chegou a mostrar os papeis para Travis Kalanick e Emil Michael, respectivamente, CEO e vice-presidente sênior da Uber, além de outros executivos da companhia, enquanto ela lidava com as autoridades indianas e se preparava para enfrentar o caso nos tribunais.

Alexander também teria comentado detalhes sobre os registros com outros membros do time gerencial da Uber, permanecendo de posse dos documentos por cerca de um ano, até que o departamento legal da empresa os destruiu. Apesar de a posse das informações nunca ter sido confirmada, o caso levou o governo indiano a realizar uma intensa investigação, que envolveu também a proibição dos serviços do aplicativo no país por cerca de um ano.

O caso do executivo está entre as mais de 200 situações citadas por escritórios de advogados contratados pelo Uber para ajudar a “limpar” seu time gerencial. As firmas foram chamadas para prestar consultoria externa e auxiliar a companhia a encontrar problemas de gerenciamento, que começam a serem resolvidos agora, com a onda de demissões.

Na visão da consultoria, Alexander deveria ter sido demitido imediatamente assim que mostrou os documentos para Kalanick. Mais do que isso, nem ele nem seu vice-presidente possuem conhecimento médico para questionar a veracidade das informações contidas no registro.

Um ano depois do estupro, o criminoso responsável pelo caso foi condenado à prisão perpétua. A Uber voltou a funcionar no país, mas a justiça local levantou ressalvas quando ao tratamento dado por ela à situação, chegando a levantar dúvidas sobre a veracidade do relato e ventilar teorias de que seu principal rival, o Ola, poderia estar envolvido.

Fonte: Recode

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