Twitter pode ser primeira grande empresa a oferecer suporte ao FLoC do Google

Twitter pode ser primeira grande empresa a oferecer suporte ao FLoC do Google

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 06 de Julho de 2021 às 09h53

Os Federated Learning of Cohorts (FLoC) são a alternativa nada popular do Google aos famosos “cookies de terceiros”, usados amplamente na web para direcionamento de publicidade. Os principais navegadores do mundo já se opuseram à tecnologia por considerá-la invasiva e menos segura do que o modelo atual.

Agora, parece que a gigante das buscas ganhou um aliado fortíssimo para a implementação do FLoC: o Twitter deve oferecer suporte à tecnologia em breve. Na contramão das Big Techs, a empresa já está fazendo experimentos para permitir a adesão ao sistema. A programadora e engenheira reversa Jane Manchun Wong encontrou traços do código em uma versão de testes, que concederá a permissão de rastreamento no site.

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Segundo o achado, a rede social do passarinho está pronta para acessar o FLoC ID do seu navegador e não deve bloquear o Google de ler todas as atividades do usuário. Como até o momento apenas o Chrome tem suporte à tecnologia de rastreamento, o sistema só funcionará se o perfil estiver aberto neste navegador específico.

Como não se trata de uma versão final, pode ser que os desenvolvedores apenas estejam fazendo experimentos para ver como seria uma implantação real. Seria uma surpresa se a decisão de aceitar o rastreamento partisse logo do Twitter, uma rede social conhecida por estar na vanguarda da segurança e da preservação da privacidade do usuário.

FLoC sob suspeita

O Google tem sido alvo de investigações sobre o seu modelo de rastreamento online, com diversos reguladores da União Europeia e dos Estados Unidos buscando entender como tudo funciona. A UE, por exemplo, já iniciou uma investigação sobre a empresa antes mesmo de o FLoC começar a ser distribuído amplamente. A empresa até se propôs a trabalhar junto a autoridades britânicas para comprovar que seu modelo é mais seguro.

Segundo o Google, o FLoC é mais seguro porque monitora grupos de pessoas, em vez de fazê-lo individualmente (Imagem: Divulgação/Google)

As principais reclamações são no sentido de que a gigante das buscas poderia reduzir o detalhamento das informações repassadas às empresas, mas valer-se de todos os dados para fortalecer a sua plataforma de anúncios. Outro questionamento seria que os “novos cookies”, embora pareçam garantir o anonimato, usam técnicas que permitem o fingerprinting, ou seja, a identificação completa de quem está navegando.

Mozilla, Microsoft, Opera, Vivaldi e outras fabricantes também se posicionaram contra e devem bloquear o sistema nos seus programas. Em entrevista recente ao Canaltech, um desenvolvedor do Opera para Android confirmou que a plataforma deve manter as restrições.

O WordPress, que gerencia 40% dos sites do mundo, anunciou que trataria o FLoC como um risco de segurança e lançaria uma versão de seu CMS que bloqueia o rastreamento. O GitHub, site responsável por armazenar códigos de milhares de aplicativos, também disse que pretende bloquear o rastreamento em suas páginas. A intenção seria evitar que sejam coletados dados de possíveis interessados em temas específicos, o que permitiria o envio de propagandas específicas para desenvolvedores, por exemplo.

Será que o Twitter vai seguir contra o fluxo e aceitar o novo modelo?

Fonte: Jane Manchun Wong

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