Traficante que testemunhou no caso Silk Road é condenado a dois anos de prisão

Por Redação | 22 de Julho de 2015 às 13h28
photo_camera Divulgação

Mais um envolvido no caso Silk Road teve sua sentença divulgada nesta semana. Michael Duch, um traficante de heroína que foi providencial no caso contra o mercado virtual de drogas Silk Road, foi condenado a dois anos e meio de prisão por tráfico de drogas, um crime que ele cometia por meio da internet e utilizando o sistema que funcionava a partir da Deep Web.

Operando sob o pseudônimo Deezletime, Duch foi uma testemunha essencial para um dos argumentos da promotoria, o de que o Silk Road era responsável por criar uma nova categoria de usuários e traficantes. A testemunha, em seu depoimento, disse ter aumentado sua utilização de heroína depois que descobriu o serviço online, que entregava drogas em casa, e passou a comprar e revender substâncias de forma a sustentar seu próprio vício, que lhe custava de US$ 200 a US$ 300 por dia.

Além disso, afirmou que jamais teria a coragem de se tornar um traficante de rua e que o anonimato e segurança oferecidos pelo Silk Road lhe deram um grau de segurança suficiente para que ele cogitasse cometer os crimes. Ele adquiria as drogas em lotes maiores a partir dos traficantes que fomentavam o seu vício e as revendia pelo dobro ou triplo do preço.

A defesa de Duch chegou a pedir a liberação imediata do acusado, alegando que os crimes cometidos por ele foram motivados única e exclusivamente por seu vício em heroína, do qual ele já estaria livre. O pedido foi acatado em partes e a sentença foi abrandada justamente por causa de sua cooperação no caso que envolveu o fechamento do serviço online e a prisão do fundador Ross Ulbricht, o “Dread Pirate Roberts”.

Duch está preso desde 2013, quando o caso Silk Road ainda estava em andamento, e terá os 21 meses que já passou encarcerado descontados de sua sentença total. Ou seja, ele deve ser libertado no começo do ano que vem, assim que cumprir os nove meses adicionais da pena, que foi cortada pela metade do mínimo previsto na constituição americana devido ao seu trabalho junto à promotoria durante o julgamento.

O acusado aceitou a sentença e pediu desculpas públicas, afirmando que prisão foi como um tapa na cara dolorido, porém necessário, para colocá-lo de volta no caminho correto. Antes de seu envolvimento com o tráfico de drogas, Duch trabalhava como consultor de TI. Seu salário anual, de US$ 75 mil, era equivalente ao que ele ganhou em seu pico de venda de drogas pelo Silk Road, onde ele faturava de US$ 50 mil a US$ 70 mil por mês.

O caso

Lançado em fevereiro de 2011, o Silk Road operou livremente na Deep Web por mais de dois anos, servindo como um marketplace online para que traficantes de diferentes tipos de substâncias vendessem seus produtos. A droga era enviada pelo correio em embalagens discretas e à prova de interceptação, com Ulbricht recebendo uma parcela dos ganhos.

Um ano depois de sua fundação, o mercado virtual começou a ganhar a atenção da imprensa, o que aumentou bastante seu tráfego de usuários e também o volume de transações. Tudo isso, claro, motivou o início de uma investigação policial, já que, de acordo com os dados oficiais, em 2012, o Silk Road teria chegado a um ritmo de vendas de US$ 22 milhões por ano.

O fim do serviço aconteceu em 2 de outubro de 2013, quando uma operação do FBI desligou os servidores que mantinham o Silk Road no ar. Na mesma data, o responsável pela plataforma, Ross Ulbricht, foi preso na biblioteca pública da cidade de São Francisco, nos EUA. Ele foi condenado à prisão perpétua em maio pelos crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e invasão de computadores e sistemas restritos, além de ser o mandante de pelo menos um assassinato, que acabou não sendo consumado.

Fonte: Ars Technica

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