Tor contrata diretora executiva da EFF

Por Redação | 14 de Dezembro de 2015 às 12h32

Em 2016, a palavra de ordem para o Tor é “diversificação”. Como parte de um processo em andamento para se afastar cada vez mais de suas origens militares e ampliar suas fontes de financiamento, a desenvolvedora do sistema de navegação anônima está anunciando a contratação de Shari Steele, ex-diretora executiva da Electronic Frontier Foundation, como sua nova liderança.

A ativista chega à equipe do Tor após mais de 20 anos trabalhando na EFF, sempre com foco na privacidade, criptografia e proteção das liberdades individuais dos usuários de internet. Com formação em Direito, ela é citada como alguém não apenas capaz de lidar com financiamentos e apoios do ponto de vista legal, mas também como uma executiva que entende a necessidade de se diversificar o financiamento em um projeto como este, de forma a aumentar sua credibilidade e evitar associações com uma ou outra organização.

Criado como um projeto do Laboratório de Pesquisas Navais da Marinha dos Estados Unidos, o Tor acabou levantando seu próprio voo e se tornou um aliado importante daqueles que residem em países com alto controle de internet. Durante a Primavera Árabe e para ativistas pela liberdade na China, por exemplo, ele se configurou como uma das principais ferramentas para que informações ultrapassassem firewalls e bloqueios impostos pelo governo.

O anonimato vem por meio de uma rede de “nós”, através dos quais a informação é trafegada de sua fonte até o destino, mascarando o IP original no processo. A utilização do Tor não garante que a identidade do usuário será protegida, claro, mas dificulta bastante o trabalho de rastreamento e localização.

As mudanças vêm, justamente, para garantir que toda essa tecnologia seja aliada à confiabilidade. O primeiro passo do Tor nesse sentido, por exemplo, foi a abertura de um sistema em que os próprios usuários possam doar para a continuidade do projeto, de forma que tais valores pudessem ser substitutos de financiamentos governamentais e de universidades. Isso é extremamente importante depois que foi descoberto que o FBI pagou mais de US$ 1 milhão à Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, por informações a respeito de falhas de segurança no sistema. Os dados permitiram a captura de muitos envolvidos no Silk Road e outros mercados virtuais de drogas que operavam na Deep Web.

Evitar a dependência de instituições e fazer com que o Tor caminhe com as próprias pernas, agora, é a grande responsabilidade de Steele. E, na visão de usuários e ativistas, a organização já começa bem, deixando claras suas intenções e demonstrando exatamente o caminho que deseja seguir daqui em diante. Para eles, transparência é a chave.

Fontes: Tor Project, PC World

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