Suécia pede para interrogar Julian Assange em Londres

Por Redação | 17.06.2015 às 08:03

Há pouco mais de um mês, a Suprema Corte da Suécia manteve sua decisão de prisão de Julian Assange, fundador do WikiLeaks. Sendo assim, ele continua isolado dentro da embaixada do Equador em Londres. Agora, a Suécia pediu ao Reino Unido e às autoridades equatorianas que permitam que os promotores do caso interroguem Assange antes que a investigação contra ele por suposto estupro e agressão sexual expire.

A promotora pública sueca Marianne Ny apresentou um pedido de auxílio judiciário às autoridades para interrogar Assange na embaixada equatoriana em Londres entre junho e julho, no que seria considerado "um momento adequado para todas as partes". Quando as permissões necessárias estiverem prontas e as datas estipuladas, a promotora adjunta do caso, Ingrid Isgren, será responsável por conduzir o interrogatório com a ajuda de um investigador da polícia.

"Ingrid Isgren não vai dar nenhuma entrevista durante a visita a Londres. Uma vez que esta é uma investigação em curso, onde prevalece o sigilo habitual, os promotores não divulgarão qualquer informação sobre o resultado das medidas de investigação", diz o documento divulgado pela procuradoria sueca. O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido disse que a sua capacidade de facilitar uma reunião com a procuradoria sueca permanece limitada com Assange na embaixada equatoriana.

Em março, Marianne Ny anunciou que aceitava que Assange fosse interrogado em Londres e fosse realizado um teste de DNA diante da possibilidade dos delitos prescreverem. Até então, a promotoria tinha rejeitado essa possibilidade ao argumentar que as leis suecas exigem que o interrogado esteja no país durante a investigação preliminar deste tipo de crime.

De acordo com a Suprema Corte da Suécia, a decisão dos procuradores de interrogar Assange em Londres apoia a decisão de defender a ordem de detenção. "Estamos claramente desapontados e críticos com a maneira da Suprema Corte lidar com o caso. Esta decisão foi levada sem deixar que fechássemos nosso argumento", afirmou o advogado de Assange, Per Samuelson, no início de maio deste ano.

Assange buscou refúgio na embaixada equatoriana em junho de 2012 para escapar da extradição do Reino Unido para a Suécia, que busca interrogá-lo sobre as acusações de agressão sexual. Há cerca de cinco anos a ordem de detenção foi emitida por procuradores e Assange diz temer que, caso o Reino Unido o extradite para a Suécia, posteriormente ele seja extraditado para os Estados Unidos, onde responderia por um dos maiores vazamentos de informações secretas da história norte-americana.