Sigfox quer cobrir principais cidades do Brasil com rede IoT até meados de 2017

Por Rafael Romer | 31 de Outubro de 2016 às 23h47
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Fundada em 2010, a francesa Sigfox tem uma ambição considerável: cobrir todo globo com uma nova rede de baixa demanda energética para tráfego contínuo de pequenas quantidades de dados para habilitar o avanço da Internet das Coisas (IoT).

Para cumprir a tarefa, a companhia desenvolve hoje uma tecnologia proprietária baseada no padrão de rede LPWAN (Low-Power Wide-Area Network), conhecido por cobertura ampla (até 100 km em áreas rurais e 3 km em ambientes urbanos) e de baixa potência de transmissão de dados (até 120 mensagens de 12 bytes por dia), mas – principalmente – pelo pequeno consumo de energia.

A alta demanda energética de redes 3G e 4G é considerada hoje um dos grandes impeditivos para o avanço da conexão entre objetos IoT, já que essas redes de dados exigem fontes contínuas de alimentação ou a troca frequente de baterias – o que tem potencial de elevar custos de gerenciamento de uma infraestrutura ou té inviabilizar uma série de casos de uso do IoT.

Com o uso da LPWAN, no entanto, a Sigfox espera criar uma rede que sustente essa troca de dados contínua e em pequenos pacotes no mundo todo, dando suporte para empresas que desejam implementar dispositivos IoT em larga escala sem a preocupação com energia.

"A proposta é ter dispositivos com sensores que podem capturar qualquer dado que você precisar e enviá-lo para a nuvem através da rede LPWAN, onde haverá uma aplicação para que o cliente utilize o dado", explicou o vice-presidente da Sigfox para América Latina, Bertrand Rame, que esteve no Brasil durante a Futurecom 2016 em busca de novos negócios para a empresa.

As antenas da empresa já cobrem hoje 24 países, incluindo toda a França e grande parte da Europa Ocidental, além de partes da Europa Oriental, Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Taiwan, Hong Kong e Estados Unidos, e 8 milhões de dispositivos de baixo consumo energético.

Neste ano, a companhia voltou os olhos também para a América Latina, e já está trabalhando na cobertura do México, Colômbia e Brasil. Através do parceiro local de operação de rede (SNO), a empresa começou a implementação de antenas por aqui em junho e já cobre completamente o Rio de Janeiro. De acordo com Rame, o plano agora é ter as dez principais cidades brasileiras cobertas até a metade do ano que vem, completando São Paulo já nas próximas semanas.

Como a tecnologia da empresa opera na banda ISM, entre 900 e 928 MHz, não há necessidade de registro de banda junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o que deve agilizar a cobertura no país.

A expectativa é trazer os primeiros clientes já em 2017 para a rede. O modelo de negócio da empresa é baseado na cobrança de uma taxa anual de US$1 por dispositivo conectado à sua rede, o que tem atraído empresas como a sueca Securitas Direct, que utiliza a rede da Sigfox como redundância para conexão de seus dispositivos de segurança doméstica.

Segundo Francisco Cavalcanti, CEO da parceria local da Sigfox, WND Brasil, a empresa vê duas grandes oportunidades de aplicação da tecnologia no Brasil: o setor agropecuário e o de monitoramento de carga.

Não atoa, a empresa inclui estradas brasileiras na meta de cobertura prevista para 2017 e também já tem feito testes em regiões do Mato Grosso sem acesso a 3G e 4G, onde a aplicação da rede proprietária poderá ser usada para troca de dados entre sensores de dispositivos rurais. A empresa, no entanto, ainda não fechou nenhum negócio no país. "É uma tecnologia nova, mas que lá fora já vem sido testada há anos, funciona bem e tem um custo bem mais baixo do que o GMS, por exemplo", comentou Cavalvanti.

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