Russo é acusado de lavar US$ 4 bilhões em Bitcoins

Por Redação | 28.07.2017 às 09:59

O russo Alexander Vinnik, de 38 anos de idade, foi preso nesta terça-feira (25) acusado de estar envolvido com a lavagem de mais de US$ 4 bilhões em Bitcoins. O dinheiro era oriundo de operações como tráfico de drogas, roubo, ransomware e outras atividades de invasão e furto de informações.

Ele era um dos operadores do BTC-e, um câmbio online da moeda virtual que operava desde 2011 e, com o tempo, se tornou a alternativa preferida de hackers que agiam com o sequestro de dados dos usuários. De acordo com um estudo da Google, cerca de 95% dos saques de pagamentos de ransomware realizados nos últimos dois anos aconteceram por meio do serviço.

Vinnik também foi conectado ao caos que envolveu o fim do Mt. Gox, fechado em 2014 após um ataque hacker que levou à perda de US$ 500 milhões. O russo teria sido o responsável pela lavagem de uma porcentagem não revelada desse montante por meio do BTC-e e também do Tradehill, outra operadora de Bitcoins que também controlava.

A operação foi do Departamento de Justiça dos EUA, com a cooperação de outras agências internacionais, que capturou Vinnik em uma pequena vila costeira na Grécia. Apesar de a prisão só ter sido efetuada na terça, as informações sobre o caso só foram reveladas nesta sexta (28), justamente devido ao montante envolvido e também à complexidade das operações ilegais do BTC-e.

Como resultado, o câmbio de Bitcoins recebeu uma multa no valor de US$ 110 milhões, enquanto Vinnik terá de pagar US$ 12 milhões. Isso somente por não terem seguido as normas de operação de câmbios financeiros nos EUA, voltadas justamente para evitar que negócios desse tipo se transformem em vetor de lavagem de dinheiro. Além disso, o russo deve ser acusado de outros crimes.

E é justamente aí que a coisa deve complicar para ele, já que a polícia grega, ao anunciar a prisão, o descreveu como “o mentor de uma organização criminosa de alcance internacional”. As autoridades investigam, por exemplo, se há envolvimento de Vinnik no roubo do dinheiro do Mt. Gox - e não apenas no recebimento dos fundos - ou em operações de venda de drogas, armas e serviços ilícitos na Deep Web.

As investigações que levaram à prisão do suspeito são fruto de uma operação internacional que começou no ano passado depois que surgiram indícios de envolvimento de hackers russos nas eleições presidenciais americanas. O governo dos EUA intensificou os trabalhos relacionados a crimes digitais oriundos de cidadãos do país, uma iniciativa que afirma ser uma revitalização dos trabalhos de proteção à lei, como forma de acompanhar o desenvolvimento da tecnologia.

Estes trabalhos levaram, recentemente, ao fechamento do AlphaBay, um dos maiores mercados de produtos ilegais da Deep Web, que tomou o lugar do Silk Road no topo desse “segmento”. As autoridades não comentaram se existe envolvimento entre Vinnik e o marketplace ou os fundos que foram movimentados por meio de transações realizadas nele.

Fonte: Business Insider