Rússia diz ter feito primeiro teste bem-sucedido de sua própria internet

Por Felipe Demartini | 26 de Dezembro de 2019 às 10h43
mashable

O governo da Rússia disse ter testado com sucesso sua própria versão da internet, fechada às suas próprias fronteiras e voltada para manter o país conectado em caso de emergência. A Runet, como é chamada, teria sido experimentada neste final de ano em data não divulgada e implementada no ambiente do país sem que os usuários sentissem qualquer diferença no acesso em relação à rede tradicional.

A iniciativa foi considerada bem-sucedida pelo Ministério das Comunicações da Rússia, mas a Runet ainda não está plenamente funcional. Os experimentos teriam sido feitos ao lado de operadoras de telefonia, mas o governo não revelou detalhes precisos sobre o assunto, o que torna difícil saber exatamente como tudo vai funcionar ou em que patamar está a implementação desse novo sistema que faz parte de um conjunto de novas regras para o mundo online que foram assinadas pelo presidente Vladimir Putin em novembro.

Agências de notícias estatais afirmaram que os experimentos mostraram que as operadoras de telecom e autoridades estão prontas para agirem em caso de ameaças ou emergências, com a Runet tendo funcionado de forma estável. Entretanto, dificuldades foram encontradas na conexão de dispositivos da Internet das Coisas, considerados vulneráveis a ataques externos e um ponto que o governo deve olhar com mais cautela no futuro próximo.

O noticiário internacional indica que a ideia da Rússia é semelhante a que vemos, hoje, em países com acesso restrito como China, Arábia Saudita e Irã. A implementação de uma rede local sobre a internet mundial, que já foi chamada pelo governo russo como “uma grande intranet”, facilita o bloqueio de conteúdo e o banimento de sites indesejados pelo governo, ao mesmo tempo em que dificulta o funcionamento de VPNs que poderiam fornecer aos usuários acesso irrestrito à rede como vemos na maioria dos países do mundo.

Nas palavras oficiais do Kremlin, a Runet vai servir como uma alternativa de segurança, tanto para filtrar conteúdo que possa atacar os interesses do país como também para garantir que a comunicação continue acontecendo em caso de emergência. A ideia é que, em caso de um ataque, a conexão da Rússia com o restante da internet possa ser “fechada” sem que os usuários e membros da administração pública fiquem no escuro, com a infraestrutura interna passando a funcionar de forma isolada.

Os resultados dos testes, agora, serão apresentados a Putin para aprovação e delineamento das próximas etapas de implementação da rede. Também já estão em vigor na Rússia outras regras relacionadas ao controle da internet, como uma que obriga fabricantes e smartphones a incluírem aplicativos e soluções locais pré-instaladas, no que é visto por especialistas como mais uma forma de incentivar o uso de alternativas regionais, que permaneceriam funcionando no caso de um corte na comunicação com a internet mundial.

Fonte: BBC

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