Por um dia, a China proibiu a publicação da letra “N”

Por Felipe Demartini | 01 de Março de 2018 às 10h34

Durante pouco mais de um dia, a China baniu o uso da letra “N”, de maneira individual, em discussões, publicações ou trocas de mensagens. O caso aconteceu na última segunda-feira (25), quando autoridades do país apresentaram uma proposta de mudança nas regras de sucessão presidencial, que pode acabar com o limite de reeleições para o cargo. A situação, claro, gerou polêmica e discussões internet afora.

Rapidamente, como normalmente acontece em situações desse tipo, o governo tomou atitudes para evitar isso. Termos como “eterno”, “imigração”, “controle indefinito”, “reeleição” e grafias alternativas do nome do atual presidente Xi Jiping foram bloqueadas preventivamente. Além disso, mensagens também eram deletadas por moderadores e censores, em uma tentativa clara de evitar o debate.

Na maior bizarrice de todas, entretanto, a postagem da letra “N”, quando não associada a uma palavra, também foi bloqueada. Como normalmente acontece, o governo não explicou exatamente porque o termo foi impedido de ser postado, mas a ideia é que isso poderia evitar comentários relacionados a valores numéricos indefinidos ou infinitos – “o presidente, agora, pode permanecer no cargo por ‘n’ anos”, por exemplo.

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O bloqueio, claro, gerou problemas, como falhas na exibição de nomes de usuários em redes sociais e dificuldades em realizar seleções que usam as letras “Y” e “N” para identificar o aceite ou não de termos, por exemplo. A restrição foi desfeita mais de 24 horas depois, enquanto algumas das palavras citadas continuaram com postagem proibida.

Não é a primeira vez que o Grande Firewal da China é usado para bloquear publicações, no mínimo, inusitadas. Em julho de 2017, por exemplo, o país baniu a publicação de imagens do Ursinho Pooh após memes compararem o presidente, em uma foto ao lado de Barack Obama, com o personagem e seu amigo, Tigrão.

Ainda assim, as medidas não impediram que a possível mudança política fosse duramente criticada. Setores da imprensa chinesa compararam a reeleição indefinida com o período de Mao Tsé-Tung, afirmando que a falta de limites de mandato pode levar o país de volta ao regime imperial. A expectativa, entretanto, é que o congresso aprove a mudança devido à influência do presidente junto aos representantes.

Fonte: Business Insider

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