Pedidos de remoção de conteúdo são usados para manipular resultados do Google

Por Felipe Demartini | 07 de Agosto de 2018 às 10h22
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Os pedidos de retirada de conteúdo do Google por direitos autorais seriam a nova ferramenta de golpistas para minar o alcance de sites concorrentes ou serviços operados por desafetos. A tática, voltada para que detentores originais de obras solicitem a remoção de endereços que infrinjam suas propriedades, vem sendo usada por terceiros não relacionadas a eles, em uma tática que já teria afetado centenas de milhares de URLs ao longo dos últimos meses.

Os responsáveis pela prática não hesitam em utilizar nomes reais, mas um tanto modificados, para dar uma aparência de legitimidade ao processo. Empresas como Walt Disney, 20th Century Fox e Paramount Pictures estariam entre as que tiveram suas identidades utilizadas de forma indevida para pedidos de remoção, assim como serviços dedicados à identificação e retirada de material pirateado, como é o caso da Blue Efficience e da MUSO, por exemplo.

Essa última, inclusive, foi uma das poucas atingidas a se posicionar, taxando dezenas de pedidos de remoção de conteúdo – todos aceitos – como falsos e não registrados por membros de sua equipe. A companhia, que trabalha de perto com distribuidoras, estúdios de cinema, gravadoras e outros, afirma que a Google possui sistemas que identificam quando uma solicitação é fraudulenta; nestes casos, nenhuma ação é tomada.

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Não é, entretanto, o que vem acontecendo com dezenas de milhares de sites, que tiveram páginas e resultados retirados do motor de buscas ao longo das últimas semanas, no que parece ser uma ação coordenada para minar a concorrência. Em sua maioria, os serviços afetados também estão relacionados à pirataria, com downloads de séries e filmes disponíveis, o que torna a questão um pouco mais problemática não apenas pela área cinza em si, uma vez que os pedidos de remoção são falsos, mas também pelo fato de que sua “baixa” nas buscas dá espaço para que páginas que espalham malware cresçam nas pesquisas.

Em sua maioria, as solicitações têm como alvo serviços sediados na Rússia, mas outras ocorrências desse tipo também foram localizadas em países como Reino Unido e França. Além disso, os pedidos fraudados estariam se tornando um tipo de serviço, uma vez que, aos poucos, até mesmo proprietários de negócios sem nenhuma relação com direitos autorais estariam sendo atingidos.

Em um fórum no tópico para webmasters da Google, por exemplo, o dono de uma loja de móveis na Rússia acusa um de seus competidores de ordenar a retirada de links próprios e também de colegas de trabalho do ar. A ideia é que a página do rival cresça nas pesquisas com a ausência dos outros, passando uma fictícia impressão de maior presença online. Existem temores, também, quanto ao que o aceite de uma solicitação fraudulenta a uma página pode fazer com o restante de um site, em termos de confiabilidade e relevância, dois critérios utilizados pelo Google na exibição de resultados de pesquisa.

A Google, entretanto, ainda não se pronunciou sobre o assunto. Em seus termos de uso, a empresa afirma que todos os pedidos de remoção de conteúdo são analisados e verificados, uma vez que estão assinados digitalmente, não apenas em busca de autenticidade, mas também de forma a apurar a legitimidade das solicitações.

Fonte: TorrentFreak

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