Para 52% dos jovens, ser hackeado é a pior coisa que pode acontecer na internet

Por Redação | 29 de Junho de 2015 às 15h55

Que o número de crianças e adolescentes na internet aumentou de uns tempos para cá, isso todo mundo já sabe. O que ainda pode ser desconhecido para muita gente é como esse público se comporta quando o assunto envolve e-mail, redes sociais e outras atividades online. Estas e outras perguntas foram respondidas em um estudo recente da Intel Security, que avaliou as atitudes e hábitos desses jovens usuários brasileiros.

Intitulada "Realidade cibernética: O que os pré-adolescentes e adolescentes estão fazendo online", a pesquisa contou com a participação de 1.014 pessoas, incluindo pais e filhos. De acordo com os filhos, as piores coisas que podem acontecer com eles na Internet é ser hackeado (52%), as pessoas descobrirem sua localização e suas informações pessoais (42%), interagir com estranhos (33%), ser vítima de ciberbullying (29%), e ter segredos revelados que possam afetar sua reputação (27%).

A atenção dos jovens também é redobrada no que diz respeito ao monitoramento assistido. Um em cada três (33%) filhos muda seu comportamento quando sabe que os pais estão vigiando e cerca de metade das crianças e adolescentes brasileiros (48%) diz esconder algumas de suas atividades dos pais. Alguns optam por apagar o histórico do navegador (23%), apagar mensagens (20%), preferem usar um dispositivo móvel em vez de laptop ou desktop (17%) e até minimizam o navegador quando adultos estão por perto (16%).

Entre as atividades que os filhos disseram que já fizeram online estão: 35% dizem já ter jogado jogos de vídeo game com um estranho, 13% dizem ter acessado pornografia, 6% dizem ter apostado em jogos, 4% já compartilharam ou postaram fotos e mensagens íntimas, 3% já enviaram fotos inapropriadas de si mesmo para outra pessoa e 1% diz ter comprado drogas ou álcool. Mais da metade (54%) dos filhos entrevistados disse nunca ter feito qualquer uma dessas atividades.

Agora, quando perguntados quais as piores coisas que podem acontecer com seus filhos, os pais responderam que suas maiores preocupações é que os pequenos interajam com estranhos (63%) ou que pessoas possam descobrir a localização da criança e suas informações pessoais (57%).

Além disso, a maioria dos pais (84%) diz que já tentou monitorar o comportamento do filho na internet. Para isso, eles usam técnicas como conversar com o filho (83%), procurar informações em dispositivos (59%), definir controles de acesso (40%), seguir os filhos em mídias sociais (52%) e compartilhar as senhas (36%). Ter os dispositivos das crianças monitorados com GPS é a opção de 11% dos pais.

"A comunicação transparente pode ajudar a construir a confiança entre pais e filhos, incentivar as crianças a compartilhar mais informações sobre suas atividades online e a buscar a ajuda dos pais quando se depararem com qualquer atividade suspeita na Internet", explica Thiago Hyppolito, engenheiro de produtos da Intel Security. Segundo o especialista, os pais devem ter conversas frequentes e abertas com seus filhos sobre o seu comportamento online, bem como sobre os riscos aos quais eles estão expostos.

Redes sociais e cyberbullying

Ciberbullying

Outro dado apontado pelo estudo é sobre o uso de sites como Twitter e Facebook por crianças e adolescentes. A maioria delas (89%), com idade entre 8 e 16 anos, já é ativa nesse tipo de plataforma. O índice é ainda maior (83%) entre crianças de 8 a 12 anos, e de 97% entre adolescentes de 13 a 16 anos. Os entrevistados nessa faixa etária responderam que criaram suas contas no Facebook, por exemplo, quando tinham entre 8 e 10 anos de idade.

Parte dos filhos (26%) diz usar nomes falsos ou apelidos em seus perfis de mídia social. O principal motivo para isso é que eles não querem que colegas saibam que são os responsáveis pelo que estão postando (53%). Para 40% das crianças o motivo de usar nomes falsos é porque estão preocupados que os pais ou professores descubram que estão envolvidos com algum conteúdo impróprio.

O cyberbulling também está cada vez mais presente no dia a dia desses jovens usuários de internet. Mais da metade das crianças (52%) já testemunhou algum comportamento cruel nas redes sociais. Entre elas, 11% dizem já terem sido vítimas de ciberbullying e 24% indicam já terem cometido bullying em mídia social. Os principais motivos citados para justificar o bullying são porque os outros foram maus para eles (36%) ou simplesmente porque não gostam dessas pessoas (24%).

A pesquisa também constatou que uma em cada quatro crianças (25%) diz que se encontraria ou já se encontrou pessoalmente com alguém que conheceu online — 65% dos pais acham normal o filho ter amigos adultos em mídias sociais. Além disso, mais de um terço dos filhos (37%) diz saber as senhas de outras pessoas e 42% deles já acessaram alguma conta dessas pessoas sem que elas soubessem. As principais razões para isso são: alterar configurações ou imagens para fazer piada (49%) e para ver se eles estavam conversando com um ex (28%).

Todo esse comportamento consequentemente já ocasionou discussões dos pais com os filhos. Quase todos os adultos (97%) afirmaram já ter tido algum tipo de debate com seu filho sobre os riscos das mídias sociais. Os temas mais discutidos com as crianças são cibercrimes e roubo de identidade (79%), reputação (77%), configurações de privacidade (70%) e ciberbullying (66%).

Mantenha sua segurança familiar

Como em todo relatório de comportamento no mundo digital, a Intel Security dá algumas dicas de como os pais podem garantir a segurança dos filhos na web.

A primeira é a mais óbvia: conversar com os pequenos. "Fale casual e frequentemente com eles sobre os riscos, e mantenha as linhas de comunicação abertas. Aproveite os temas sobre violação de segurança abordados em notícias ou casos acontecidos em escolas para conversar com as crianças", destaca a empresa. Outra recomendação é que os pais sempre estejam um passo adiante dos filhos, ou seja, aprimorando seu conhecimento em tecnologia, especialmente em dispositivos móveis, já que o estudo verificou que 70% das crianças passam mais de duas horas por dia no tablet ou smartphone.

Antes de permitir que seu filho baixe um aplicativo, conheça as restrições de idade (as categorias geralmente incluem: todos, baixa maturidade, maturidade média ou alta maturidade) e leia os comentários de clientes sobre o app. Assim, você será capaz de discernir se um aplicativo é adequado para o seu filho ou não. Por fim, é essencial definir regras para as senhas. "Aconselhe as crianças a criar senhas seguras e nunca compartilhar senhas com amigos. Os pais devem ter as senhas para total acesso aos dispositivos dos filhos e também saber as senhas deles para contas de mídia social e aplicativos", conclui.

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