Novas regras do YouTube estão dificultando a vida das redes multicanais

Por Ramon de Souza | 23 de Abril de 2018 às 15h15
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O YouTube acaba de se envolver em mais uma polêmica — e bem no dia em que a plataforma completou 13 anos desde a sua estreia. Desta vez, o serviço está sendo acusado de colocar algumas redes multicanais na parede, forçando-as a quebrar contratos com criadores que podem representar algum risco à sua política de uso. Quem denunciou essa situação foi o Polygon, após conversar com algumas empresas do ramo.

Redes multicanais, para quem não sabe, são companhias que gerenciam diversos canais sob um só guarda-chuva. Geralmente, elas são procuradas por vloggers para administrar a parte burocrática de se ter um canal no YouTube (incluindo estratégias de monetização, agendamento de postagens, moderação de comentários, análise de estatísticas, etc), o que lhes permitem focar exclusivamente na produção de conteúdo.

O problema é que, ao longo dos últimos meses, diversos criadores norte-americanos estão sendo repentinamente desligados de redes famosas como Fullscreen e BBTV, sendo notificados dessa decisão através de um e-mail bem direto e vago. A mensagem diz apenas que o contrato está sendo quebrado porque os envios podem violar direitos autorais ou as leis internas do próprio YouTube, sem dar mais detalhes sobre eventuais infrações.

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Porém, de acordo com mensagens vazadas de Howard Pinsky, diretor de marketing da Fullscreen, o que acontece é que o YouTube está “forçando” as redes a removerem criadores que possam violar seus termos, mesmo que eles ainda não tenham sido advertidos por esse tipo de má conduta. A regra seria decorrente de uma nova política inaugurada em 1º de março e batizada de “Know Your Customer” (ou “Conheça seu Cliente”).

A grosso modo, tal política obriga que toda rede multicanal assista a todos os vídeos enviados por seus parceiros ou ao menos estejam confiáveis de que nenhum dos envios atuais ou futuros infrinjam as regras da plataforma. Caso a rede seja atingida com 50 ou mais notificações de abuso (quando um canal perde seu direito de ser monetizado ou é removido pela moderação), ela pode ser proibida de contratar mais clientes ou até mesmo de trabalhar no YouTube.

Situação delicada

O principal problema é que, como todos nós sabemos, o YouTube não anda lá muito eficiente na hora de sinalizar conteúdos infratores. Ao mesmo tempo em que o serviço está tendo dificuldades para moderar vídeos impróprios, seus sistemas automatizados estão sendo criticados pela quantidade enorme de falsos positivos, o que acaba retirando vídeos ou canais inteiros do ar por puro engano.

Sendo assim, é sensato acreditar que a decisão das redes multicanais em fechar alguns contratos advém da necessidade de diminuir o número de parceiros para poder revisar manualmente o conteúdo de seus envios — caso contrário, eles teriam que contratar mais moderadores internos para garantir que nenhuma possível infração passe despercebida.

Fonte: Polygon

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