Mercado de drogas da Deep Web fecha as portas por preocupações com segurança

Por Redação | 26 de Agosto de 2015 às 11h16
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O funcionamento da Deep Web, em alguns aspectos, é extremamente semelhante ao de serviços da superfície da rede. Feche um deles e veja diversos outros similares ou até mesmo melhores surgindo nos dias seguintes, arrebanhando os usuários antigos e novos motivados pela cobertura na imprensa. Com o mundo das drogas não foi diferente, e a batida policial que motivou o fim do Silk Road também levou à criação de novos mercados de entorpecentes. E um deles, agora, anunciou que vai interromper suas operações.

Ao contrário do que se pode pensar, porém, não se trata de uma ação policial ou um golpe. O Agora, um dos maiores marketplaces de drogas em operação na Deep Web, anunciou a suspensão indefinida de seus serviços até que questões de segurança relacionadas ao navegador Tor, o responsável pelo acesso ao lado escuro da rede, sejam resolvidas.

Muito provavelmente, os responsáveis pelo Agora estão se referindo a uma descoberta feita no começo do mês por pesquisadores do MIT, que descobriram uma maneira de seguir rastros deixados pelas conexões supostamente anônimas entre usuários e sites. A brecha é extremamente específica, mas pode ser utilizada por quem souber o que está fazendo e acaba colocando tanto os responsáveis pelo Agora quanto seus clientes e usuários em risco.

De acordo com os responsáveis anônimos pelo marketplace, não existe nenhuma solução a curto prazo para o problema e todos aguardam desenvolvimentos adicionais. Enquanto isso, eles incentivam os usuários da plataforma a concluírem suas transações o mais rápido possível para que ninguém seja prejudicado. O Agora permanece no ar, mas deve ser fechado nos próximos dias.

O serviço funciona de forma similar ao Silk Road, no sentido que não vende pessoalmente as drogas. Em vez disso, o Agora proporciona um local online seguro para que traficantes possam ofertar seus produtos e entrar em contato com usuários. O pagamento é feito com Bitcoins e a plataforma retém uma taxa pelos anúncios, mas não lida diretamente com as substâncias.

A notícia gerou agradecimentos da comunidade, que elogiaram a postura profissional do Agora em se comunicar com os usuários e informá-los sobre o que está acontecendo. Para alguns, por exemplo, nem sempre vemos esse tipo de abordagem em serviços “legítimos”, portanto é irônico pensar que um envolvido diretamente em um crime possa ter tal respeito com sua base de usuários.

Enquanto os usuários comemoram e enaltecem os serviços do Agora, por outro lado o mercado de drogas online se torna uma preocupação cada vez maior para a polícia. De acordo com as autoridades, multiplicaram-se os números de serviços desse tipo desde o fechamento do Silk Road, assim como se proliferaram os golpistas em busca de dinheiro fácil.

É o caso, por exemplo, do Evolution, que se tornou um dos maiores serviços do tipo após o caso. Ao ganhar corpo, porém, a plataforma fechou suas portas sem aviso em março de 2015, levando consigo mais de US$ 12 milhões em Bitcoins de seus usuários. É claro, devido à característica de anonimato da rede, parece impossível que os afetados recebam o dinheiro de volta.

No final de 2014, também, a polícia prendeu Blake Benthall, um norte-americano que seria o responsável pelas operações do Silk Road 2.0, o substituto “oficial” do serviço, gerenciado por alguns de seus administradores originais. Ele aguarda julgamento por acusações de tráfico de drogas e foi o único capturado em relação ao site.

Também está preso o criador original do Silk Road, que atendia pelo pseudônimo de Dread Pirate Roberts. Ele foi encarcerado em 2013 e, recentemente, condenado à prisão perpétua pelos crimes de lavagem de dinheiro, hackeamento de computadores e conspiração para tráfico de drogas.

Fontes: Agora (Reddit), Business Insider

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