Massificação da banda larga móvel é só o primeiro passo

Por José Otero

O crescimento pelo qual estão passando as tecnologias sem fio nos mercados emergentes como o da América Latina supera o que se observa em outras regiões do mundo. O jornal espanhol El País ressalta em suas páginas este fenômeno, apontando que o mercado móvel latino-americano é agora o quarto maior do mundo, com quase 326 milhões de assinantes únicos e 718 milhões de conexões, de acordo com dados da GSMA.

Do total de acessos móveis latino-americanos, 44,6% utilizam tecnologia 3G, de acordo com dados da Ovum. Espera-se que nos próximos anos, as tecnologias de banda larga sem fio continuem aumentando. Para 2019, 60% das conexões móveis serão 3G, e 23,3%, 4G, ainda conforme os dados da Ovum.

No entanto, ainda que o crescimento em linhas móveis com capacidade de proporcionar serviços de banda larga seja extremamente importante, não podemos cometer o erro de pensar que o simples crescimento destas linhas tenha terminado com o trabalho. Pelo contrário, apenas representa uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional dos indivíduos, que para ser aproveitada necessita muito esforço por parte das empresas privadas, do setor público e da sociedade civil.

Talvez a educação seja o ponto mais importante para potencializar a evolução do celular que passe de um aparelho de comunicação e entretenimento e se converta em uma ferramenta para incrementar o bem-estar. Há que educar os representantes do governo para que entendam que serviços públicos possam melhorar e expandir por meio das novas tecnologias, há que educar os docentes para que percam o medo da inovação e tenham acesso aos novos conteúdos pedagógicos.

A evolução tecnológica tem conseguido que os telefones celulares, que até pouco mais de uma década atrás eram simples aparelhos utilizados para realizar chamadas telefônicas e enviar mensagens curtas de texto, se transformem em poderosas ferramentas multimídia que hoje permitem acessar um amplo leque de serviços. São ferramentas de acesso às tecnologias de informação e comunicação (TIC), que permitem às pessoas, e especialmente àquelas que não dispõem de outros acessos, como um PC, integrar-se à sociedade da informação.

Sendo assim, para que isto tenha um impacto significativo na comunidade, é necessário que o acesso se desenvolva de forma integral. A maior disponibilidade e acessibilidade aos smartphones permite ampliar a base de dispositivos ou terminais de informação, enquanto que a expansão da cobertura de rede pode estender o meio de comunicação ou canal, que neste caso é a conexão de banda larga. Também é necessário desenvolver uma terceira fase, que tem a ver com os conteúdos, serviços e aplicativos que são executados nessas conexões e dispositivos para fazer a diferença na vida das pessoas.

Além disso, a popularização da tecnologia possibilita a oportunidade única de gerar acesso uniforme especialmente para aquelas comunidades carentes que por sua localização, não contam com as facilidades das grandes cidades em áreas como a da educação, saúde, trabalho, cultura e outras. É também uma alternativa interessante para desenvolver iniciativas para comunidades com problemas econômicos ou culturais específicos.

Em resumo, trata-se de aproveitar o crescimento das novas tecnologias. Pensar que com um número maior de linhas o trabalho já está terminado é um grave erro. Construir a rede e oferecer serviços é a parte mais fácil, a coordenação posterior para tirar proveito da presença das tecnologias de informação e comunicação para impulsionar o desenvolvimento nas zonas mais pobres é o grande desafio.