Machinima oculta canal e sete anos de conteúdo no YouTube

Por Felipe Demartini | 22 de Janeiro de 2019 às 13h31

A Machinima surpreendeu a todos no último final de semana quando retirou do ar todo o conteúdo de seu canal principal, com mais de 12 milhões de inscritos e alguns milhares de vídeos publicados desde 2006, quando começou a atuar no YouTube. A mudança veio sem aviso e surpreendeu principalmente aos criadores que trabalham ou atuaram junto à plataforma e viram seu trabalho de anos desaparecendo do dia para a noite.

Antes uma das principais redes de canais e de conteúdo gamer da plataforma, a Machinima passava há anos por uma crise, depois que seu modelo de negócios caiu no desinteresse da comunidade. Aos poucos, criadores notórios foram se desafiliando da network e seguindo caminhos distintos, enquanto outros permaneciam criando conteúdo para o canal da empresa a um ritmo desacelerado.

Essa queda no interesse teria a ver, também, com uma série de aquisições e transferências de controle. Em 2016, por exemplo, a Machinima foi adquirida pela Warner Bros, que, por sua vez, foi comprada pela AT&T no ano passado. Ainda em dezembro, a telecom anunciou que os trabalhos da network seriam agregados à sua própria rede de canais, a Fullscreen, enquanto a marca permaneceria em uso apenas como tal.

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Apenas conteúdos de outros canais e vídeos curtidos ainda podem ser vistos no espaço do Machinima (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Há uma semana, entretanto, veio a notícia de que a Machinima estaria se unindo à Otter Media, uma joint venture da AT&T que também é dona de serviços como o Crunchyroll. Demissões foram citadas por fontes internas, com cerca de 10% dos funcionários mandados embora, enquanto o diretor geral da Fullscreen, Beau Bryant, falou em comunicado que isso representava a entrada dos criadores em uma nova família.

Unindo-se às duas informações, então, a especulação é de que o desaparecimento dos vídeos, que podem ter sido deletados ou apenas colocados como privados pelos administradores, teria a ver com o processo de transição a ser realizado pela Otter Media. Para todos os efeitos, então, a Machinima teria acabado e, agora, todos os seus serviços devem ser desempenhados pela nova dona ou pela Fullscreen.

No Twitter, com a hashtag #RIPMachinima, usuários e criadores lamentaram o fim abrupto do canal e decretaram a morte, também, da network. No Brasil, por exemplo, ela aparecia ao lado de criadores de renome do começo desta década, como Monark e Venom Extreme, e também foi a responsável pela veiculação de séries originais como Mortal Kombat: Legacy, Street Fighter: Assassin’s Fist, Sonic for Hire e Transformers: Combiner Wars.

A grande lamentação é em relação à perda do conteúdo, sem aviso prévio ou alerta. Enquanto boa parte das séries originais da Machinima foram distribuídas em outros serviços, o mesmo não pode ser dito de vídeos informativos, gameplays, análises e outros tipos de materiais, que registraram o histórico e evolução de muitos criadores reconhecidos e tinham o canal do Machinima como único arquivo, um acervo que, agora, parece perdido.

Em comunicado oficial, a Otter Media disse estar focada na criação de novos conteúdos ao lado do time original do Machinima, mas que tais atrações serão distribuídas em novos canais. A empresa disse ainda continuar focada na promoção de novos talentos por meio de sua rede de canais. Os criadores que tinham contrato com a network devem ser transferidos para a nova estrutura, sem alteração em seu trabalho diário.

Fonte: Kotaku

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