Brasil cresce abaixo da média global em tráfego móvel até 2020, revela pesquisa

Por Rafael Romer | 03 de Fevereiro de 2016 às 14h23

O Brasil crescerá abaixo da média global em tráfego móvel até 2020, revelou a nova edição do relatório Visual Network Index (VNI) Mobile, apresentado pela Cisco nesta quarta-feira (3). De acordo com os dados do levantamento, o tráfego global será oito vezes maior que o atual, como o Oriente Médio e África saltando 15 vezes, e a Ásia-Pacifico, nove vezes. A América Latina deverá crescer na mesma medida da média global, em oito vezes.

O Brasil, no entanto, deverá ficar um pouco abaixo do crescimento médio, registrando um aumento de sete vezes no tráfego de dados móveis, com uma taxa de crescimento anual composta de 45%. "O Brasil acelerou muito por muito tempo e o crescimento passa a ser menos vertiginoso. Assim como a macroeconomia, que afeta os hábitos de consumo, inclusive de dados", explicou o Diretor de Relações Governamentais da Cisco, Giuseppe Marrara.

Nos próximos quatro anos, a maior parte do tráfego móvel global também deverá começar a se deslocar do eixo da América do Norte e Europa para a região da Ásia-Pacífico. A expectativa é que, em 2020, 45% do tráfego móvel estará na Ásia-Pacífico, seguida pela América do Norte, com 11% do total. A América Latina representará 7%.

No último ano, o Brasil viu um crescimento de 54% em tráfego móvel, considerado "bem satisfatório" e a par com outros países semelhantes, como México, África do Sul e Rússia. Neste ano, por exemplo, o tráfego das redes 4G brasileiras deverá superar o das redes 2G — ainda que em número total de usuários, as redes legadas ainda permanecerão adiante.

De acordo com Marrara, a expansão da conectividade móvel no Brasil nos últimos anos foi puxada principalmente pelo ambiente de competição entre as quatro operadoras que disputam o mercado nacional — um cenário observado em poucos países, geralmente dominados por um número menor de players no setor. A expectativa é que, até 2020, o Brasil tenha 182,1 milhões de pessoas por dispositivos mobile, contra os atuais 170 milhões.

Além disso, o estudo estima que agora outros países latino-americanos comecem a avançar em conectividade, enquanto o Brasil se estabiliza. É o caso do Chile e da Colômbia, que estão acelerando com "um crescimento surpreendente", e da Argentina, onde as perspectivas de melhora do cenário econômico podem puxar o setor de telecomunicações.

Avanço global

De acordo com os dados da pesquisa, o mundo saltará dos atuais 4,8 bilhões de usuários móveis para 5,5 bilhões até 2020, o que deixará 70% da população conectada. O salto no número de conexões móveis deverá ser ainda maior, pulando dos 7,9 bilhões registrados em 2015 para 11,6 bilhões nos próximos quatro anos. A velocidade média global também saltará dos atuais 2 Mbps para 6,5 Mbps — um crescimento de 3,2 vezes.

Junto ao crescimento das conexões móveis, deverá vir um aumento expressivo do consumo do conteúdo em vídeo na web — a expectativa é que o tráfego de vídeo represente três quartos do total do tráfego de dados móveis em 2020. Hoje, os vídeos representam 55% do total.

Em termos de dados totais, o tráfego global anual ultrapassará a marca dos 366 exabytes, superando em oito vezes os atuais 44,2 exabytes. Isso equivale, por exemplo, ao consumo de 7 trilhões de vídeos no YouTube, por exemplo, ou uma média de 2,5 videos diários por habitante, no mundo, durante um ano.

Uma das tendências que deverá suportar esse crescimento é o aumento de hotspots de Wi-Fi ao redor do mundo, que crescerá em 14 vezes. Só o total de pontos de acesso Wi-Fi domiciliares aumentará em sete vezes nos próximos quatro anos, atingindo 432 milhões. No ano passado, o tráfego de Wi-Fi offload mensal suprerou o tráfego por redes móveis pela primeira vez, atingindo 3,9 exabytes contra os 3,7 exabytes mobile.

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